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EQUILIBRANDO AS CONCORRENTES NECESSIDADES DE ÁGUA

É necessário um equilíbrio entre a equidade (necessidades sociais), a eficiência (uso económico da água) e a sustentabilidade do ecossistema (necessidades ambientais).

Água para as necessidades sociais
A tabela sobre o acesso a água limpa e saneamento ilustra a pressão que as população poderão vir a impor sobre os recursos hídricos. Isto deverá ser visto no contexto dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio para água e saneamento cuja meta é reduzir em 50 por cento o número de pessoas sem acesso a água potável e saneamento até o ano 2015.

Para o caso do Malawi, os desafios associados a este objectivo implicam:

  • Aumentar o actual fornecimento de água potável em 10 por cento para a população urbana e em 34 por cento para a população rural até 2015; e
  • Assegurar o aumento do actual nível de saneamento em 24 por cento para a população urbana e em 38 por cento para a população rural até 2015.
Atingir os objectivos de desenvolvimento do milénio vai significar uma pressão adicional sobre os recursos hídricos da Bacia do Zambeze. Neste contexto, devem ser inseridas as projecções da população para 2025 uma vez que os ajustamentos apresentam um grande nível de incertezas devido ao impacto do HIV/SIDA que ainda não está devidamente estudado. Estas incertezas representam um problema adicional no planeamento dos recursos hídricos.

Água para necessidades económicas
A energia hidroeléctrica na Bacia do Zambeze é produzida para o consumo interno e externo. Grande parte das centrais hidroeléctricas pertencem a firmais nacionais de electricidade que são membro da Utilização Comum da Energia da África Austral (SAPP), um organismo que gere a distribuição de electricidade na região da SADC. É importante salientar que apesar da energia hidroeléctrica não consumir água de forma significativa, os padrões de produção da corrente hidroeléctrica podem perturbar o regime dos caudais causando uma degradação ambiental.

As outras actividades económicas que dependem dos recursos hídricos incluem as minas, indústrias similares bem como a agricultura. As minas contribuem com 10 por cento do PIB total e representam 60 por cento das exportações. A Bacia contam com pequenos, médios e grandes operadores mineiros. As outras indústrias da Bacia incluem fábricas têxteis, de processamento de açúcar e de produtos diários. O sector industrial detém um potencial para crescimento dada a abundância de matéria prima e a competitiva força de trabalho. Espera-se que no futuro aumente a demanda de água para satisfazer as necessidades industriais. A Bacia do Zambeze possui também muitos locais de destino turístico como Victoria Falls.

Da mesma forma como acontece em outras partes do mundo, a agricultura, irrigada e dependente da precipitação, é a grande utilizadora da água na região na SADC. Ela sustenta as economias da região empregando 80 por cento do total da força de trabalho e contribuindo com 26 por cento dos rendimentos externos. Na Bacia do Zambeze são praticados os dois tipos de agricultura, de subsistência e comercial, e as culturas produzidas incluem milho, arroz, feijão, tabaco, cana de açúcar, algodão e citrinos. A agricultura é altamente vulnerável as condições climáticas; tanto a seca como as cheias tem tido efeitos devastadores sobre a produção agrícola nos últimos anos. O impacto das actividades agrícolas sobre a quantidade e qualidade das necessidades de água precisa de uma fiscalização contínua uma vez que consequências como possíveis perdas de biodiversidade no rio ou nas terras húmidas podem ter custos irreversíveis.

Água para as necessidades ambientais
Água para as necessidades ambientais Quando a barragem de Kariba foi construída em 1958, havia pouca ou quase nenhuma noção das necessidades ambientais. Hoje é necessário efectuar uma Avaliação do Impacto Ambiental (AIA) para quaisquer projectos. Esforços para conservar as zonas húmidas ou para minimizar o impacto causado pelas actividades humanas tem ganhado terreno. As oportunidades que o eco-turismo oferece tem contribuído para um melhor apoio a muitos sectores, incluindo governamentais. As zonas húmidas não sustentam somente a biodiversidade e nem desempenham apenas funções essenciais dos ecossistemas como filtração de água e atenuação das cheias, mas fornecem também recursos para as comunidades rurais.

Padrões de uso de água por país
País Proporção do uso de água por sectores (%)
  Agricultura Indústria
Doméstico
Angola 76 10 14
Botswana 48 20 32
Malawi 86 3 10
Mozambique 89 2 9
Namibia 68 3 29
Tanzania 89 2 9
Zambia 77 7 16
Zimbabwe 79 7 14
Hirji et al 2002; Ashton and Ramsar, 2002

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