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PAÍSES RIBEIRINHOS
Angola
Cerca de 11,6 por cento da superfície total de Angola
localiza-se na Bacia, principalmente a província do
Moxico, no nordeste do país. Os principais afluentes do
Rio Zambeze incluem o Lumbane, Luena, Lungue-Bungo
e Macondo. A média anual de precipitação varia entre
1200-1400 milímetros. As principais actividades agrícolas
estão fundamentalmente viradas para culturas de
subsistência e pescas. Não existe nenhuma estação
hidroeléctrica, apesar de serem identificados nove
potenciais locais. Existem 12 áreas protegidas ao longo
do lado angolano da Bacia. Estas áreas incluem o Parque
Nacional de Kameia e as Reservas de Luiana e Mavinga.
Os principais problemas ambientais incluem a
desflorestação e erosão dos solos, resultantes das
actividades agrícolas e produção de combustível lenhoso.
Botswana
Estima-se que 14,4 por cento da superfície total do
Botswana esteja localizada na Bacia, sobretudo o distrito
de Chobe. O distrito recebe uma precipitação média
anual de cerca de 650 milímetros. Os principais
consumidores da água são a fauna bravia e a irrigação a
partir do Rio Chobe que drena para o Zambezi. O
Parque Nacional de Chobe (o maior do país) está
localizado na Bacia. A barragem de Shashe, ligada aos
maiores assentamentos por um papeline Norte-Sul, pode
satisfazer as demandas de água até o ano 2020.
Contudo, para além deste período será necessária mais
água do Sistema do Rio Zambeze. Como em qualquer
outro país da Bacia, a retirada da água do sistema do
Zambeze pode vir a causar uma excessiva utilização das
águas para abastecer a crescente população e os grandes
assentamentos.
Malawi
Quase todo o território do Malawi (93,2 por cento)
encontra-se localizado na Bacia. A precipitação média
anual varia entre 700-1625 milímetros. O Lago Malawi,
uma característica saliente da Bacia, é o nono maior
lago mundial em termos de área (28.800 km2) e o
quinto maior em termos de volume (8.400 metros
cúbicos). O Rio Shire é a única descarga do Lago
Malawi e flui para o Rio Zambeze. A navegabilidade
do Lago e do Rio conferem um efectivo transporte de
pessoas e bens, bem como actividades pesqueiras. A
necessidade de uma elevada produção alimentar
traduz-se numa excessiva demanda de água para
irrigação. O combustível lenhoso fornece cerca de 90
por cento das necessidades de energia do Malawi,
com o petróleo e a hidro-energia a contribuírem com
quatro e três por cento respectivamente. Vários
potenciais locais para futuros projectos de
desenvolvimentos hidroeléctricos foram já
identificados, estando alguns em construção. Quase
todas as áreas protegidas do Malawi encontram-se na
Bacia.
Devido a demanda de combustível lenhoso, elevados
índices de desflorestação e ocorrência de erosão dos
solos, barragens insustentáveis podem causar impactos a
jusante como danificação dos ecossistemas, perda de
biodiversidade, redução da produção pesqueira e
sedimentação.
Moçambique
Pelo menos 17,5 por cento da área total de Moçambique,
principalmente a província de Tete, localiza-se na Bacia.
A Bacia alberga quase metade dos recursos hídricos de
água doce do país. A precipitação média anual varia
entre 1000-1400 milímetros. Contudo, no Vale a média
anual de precipitação é inferior a 600 milímetros. As
características significativas incluem os Lagos Niassa e
Cahora Bassa. Estes lagos oferecem peixe e o servem de
rotas de transporte de bens e passageiros. A barragem de
Cahora Bassa, concluída em 1977, destina-se
principalmente ao fornecimento energia a África do Sul e
algumas regiões de Moçambique e Zimbabwe. A
mineração de carvão é a principal actividade industrial da
Bacia,. As outras reservas incluem o ouro, grafite, urânio,
cobre, ferro e asbesto. A Bacia alberga cerca de dois
terços do total da terra irrigada do país.
Os principais problemas ambientais incluem a
poluição, devido a mineração, e imundícies da Cidade de
Tete, resultante de uma deficiente rede de drenagem. O
crescimento populacional a volta dos grandes
assentamentos contribui para a desflorestação e erosão
dos solos.
Namíbia
Apenas 2,6 por cento da área total da Namíbia
localiza-se na Bacia, na região de Caprivi. A média anual
de precipitação é de 680 milímetros. Devido ao terreno
plano coberto por areias nos afluentes dos rios
Kwando-Linyanti-Chobe, a estagnação da água é muito
significativa. A bacia abastece água aos centros urbanos
de Katima Mulilo, Chinchimane, Linyanti, e Bukalo bem
como muitas zonas rurais servidas por poços abertos
manualmente. A agricultura de irrigação também
consome uma quantidade significativa das águas da
Bacia.
Tanzânia
Estima-se que 2,6 por cento da superfície total da
Tanzânia situa-se na Bacia, na região do Lago Nyasa.
A principal rede de rios é composta pelo Songwe,
Ruhuhu e Kiwira. A precipitação média anual varia
entre 800-2600 milímetros. As principais actividades
económicas incluem a agricultura e a pesca. A
extracção insustentável das águas do Lago Nyasa pode
causar efeitos negativos a jusante do rio Shire, no
Malawi, e sobre o rio Zambeze, afectando a pesca e a
agricultura de irrigação. Os elevados níveis de
desflorestação e a erosão dos solos são causados pela
demanda do combustível lenhoso. Cheias constituem
também uma ameaça nesta parte da Bacia.
Zâmbia
Quase três quartos da superfície total da Zâmbia (71,7
por cento) está localizada na Bacia e grande parte dos
rios deste país fluem para o rio Zambeze. Entre os
principais afluentes figuram os rios Kabompo, Kafue e
Luangwa. A precipitação média anual varia entre 710-
1475 milímetros. Contudo, no norte a precipitação
média anual varia entre 1000-1400 milímetros. A
agricultura de irrigação consome a grande quantidade
das águas da bacia, seguida pelos consumos
doméstico e industrial. Grande parte das necessidades
de energia eléctrica do país são satisfeitas por estações
hidroeléctricas instaladas na Bacia que incluem Kafue
gorge, Kariba North Bank e Victoria Falls. O alto
Zambeze e o Lago Kariba são também usados para o
transporte de bens e serviços. As actividades turísticas
são dominadas pela fauna bravia e pelas Quedas Vitoria.
Os problemas ambientais incluem a poluição da
água devido as actividades minerais, industriais e
domésticas no seio das grandes cidades, e redução dos
valores selvagens devido ao excessivo desenvolvimento
no 'ponto quente' de turismo como as Quedas Vitoria.
Projectos de irrigação podem levar ao uso
insustentável das águas da Bacia, enquanto o rápido
crescimento populacional pode culminar com vários e
grandes assentamentos. Esta situação pode levar a
degradação das terras, erosão, desflorestação e
salinização com efeitos sobre os ecossistemas e uma
possível perda de biodiversidade.
Zimbabwe
Aproximadamente dois terços da superfície total do
Zimbabwe (64,3 por cento) estão localizados na Bacia e
entre os principais afluentes figuram os rios Manyame,
Sanyati e Gwayi. As regiões nordeste do país recebem
mais de 1500 milímetros de precipitação anualmente,
enquanto o sul regista uma média de precipitação anual
de menos de 500 milímetros. A agricultura de irrigação
consome uma grande quantidade das águas da Bacia,
seguida pelos consumos doméstico e industrial. As
actividades de turismo são dominadas pela fauna bravia,
Lago Kariba e pelas Quedas Vitoria. Cinco estações
eléctricas estão localizadas na Bacia, incluindo a Estação
Hidroeléctrica de Kariba Sul, bem como as estações
térmicas de Bulawayo, Harare e Munyati, que geram
energia térmica da mesma Bacia. Foram desenvolvidos
planos para a construção de uma outra estação
hidroeléctrica em Batoka Gorge, a montante do Lago
Kariba, e para a instalação da estação térmica de
Sengwa, no Gokwe-norte.
Os principais problemas ambientais incluem a
poluição resultante das actividades de mineração,
industriais e domésticas nas grandes cidades e a
redução dos valores selvagens devido ao excessivo
desenvolvimento nos 'pontos quentes' de turismo. A
barragem dos afluentes da bacia, especialmente para a
irrigação pode ter impactos como sedimentação a
jusante que pode perigar os ecossistemas e causar
possíveis perdas de biodiversidade. Outras actividades
como a produção de peixe podem ser afectadas.
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