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A Bacia do Rio Zambeze e a sua
densa rede tributária e de
ecossistemas associados,
constitui um dos recursos naturais mais
importantes da África Austral. O rio
percorre uma distância de cerca de
3.000 quilómetros, a partir da sua fonte
nas montanhas Kalane no noroeste da
Zâmbia, a 1.585 metros acima do nível
do mar, até ao seu delta que fica 200
quilómetros a norte do porto
moçambicano da Beira, no Oceano
Índico.
O Rio Zambeze atravessa oito Estados
membros da Comunidade para o
Desenvolvimento da África Austral
(SADC), cobrindo cerca de 25 por cento
da superfície combinada de Angola,
Botswana, Malawi, Moçambique,
Namíbia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.
Isto torna a bacia deste rio a maior em
toda a região da SADC e o mais
partilhado recurso natural na região.
Localizado entre a latitude 8º-20º S e a longitude
16.5º-36º E, o Rio Zambeze drena uma área total de
cerca de 1.4 milhões de quilómetros quadrados, e tem
uma superfície maior que qualquer um dos 14 países
membros da SADC, com excepção da República
Democrática do Congo (RDC).
Topografia
Grande parte da Bacia do Zambeze é ocupada por um
planalto localizado a uma altitude entre os 1.000-1.500
metros acima do nível médio do mar. A topografia da
Bacia tem uma altitude que varia entre o nível do mar,
no seu delta no Oceano Índico, até mais de 1.500
metros, no planalto, com algumas áreas montanhosas
atingindo além de 2.500 metros. Os planaltos são
profundamente cortados pelos vales dos rios afluentes
do Rio Zambeze.
Clima
Em termos de padrões de precipitação e temperatura,
a Bacia apresenta três estações distintas: uma estação
seca e fresca (Abril - Agosto), uma estação quente e
seca (Setembro - Outubro) e a estação temperada e
húmida (Novembro - Março).
O fenómeno atmosférico mais crítico na Bacia é a
seca. Os países da bacia enfrentaram períodos de
secas frequentes nos anos 1980 e 1990, que afectaram
seriamente a produção e a segurança alimentar, a
geração de corrente hidroeléctrica e as populações de
fauna bravia. As secas obedecem um padrão cíclico
de mais de 100 anos. Contudo, está projectado um
aumento da variabilidade climática na Bacia devido ao
aquecimento global.
Geologia
A geologia da Bacia é principalmente constituída por
sedimentos do tipo karoo. As rochas karoo detém todas
as reservas de carvão conhecidas na Bacia, enquanto as
espessas rochas sedimentares tem um potencial para a
produção de petróleo e gás natural.
Recursos Hídricos
A distribuição, a ocorrência e a disponibilidade de
recursos hídricos são desiguais nos países da Bacia,
sendo a sua disponibilidade depende da queda das
chuvas. A variação das características físicas e de clima
bem como o crescimento demográfico, o
desenvolvimento económico e político e as questões
socioculturais determinam o estatuto e a gestão da água.
A pluviosidade continua a ser a principal fonte de
água doce, embora varie em quantidade, duração e
intensidade, e é importante para a sobrevivência da
flora, fauna, populações e indústria. A precipitação
média anual calculada para a Bacia é de cerca de 1.200
quilómetros cúbicos.
A bacia apresenta várias fontes de água superficial
e subterrânea. As fontes incluem zonas húmidas como
os Baixos de Kafue (6.500 - 7.000 quilómetros
quadrados) e os pântanos Lukanga (cerca de 2.000
quilómetros quadrados), ambos ao longo do Rio Kafue
na Zâmbia, e as planícies de alagamento de Barotse
no Alto Zambeze. As planícies de alagamento regulam
a descarga de água do Rio Zambeze ao longo do ano,
absorvendo água durante as chuvas e libertando
suavemente a jusante ao longo do tempo.
Os grandes lagos naturais incluem o Lago Malawi
(designado Lago Nyasa na Tanzânia, Lago Niassa em
Moçambique) e o Lago Bangweulu (Zâmbia). Os dois
grandes lagos artificiais, Lago Kariba (partilhado pela
Zâmbia e Zimbabwe) e o Lago Cahora Bassa
(Moçambique), foram criados depois da barragem do
Rio Zambeze.
Biodiversidade
A Biodiversidade do Zambeze é uma das mais ricas e
diversificadas em África com mais de 6.000 espécies de
plantas, 650 espécies de aves e 200 espécies de animais.
Na Bacia são conhecidas cerca de 165 espécies de peixes
de água doce em parceria com mais de 500 espécies
endémicas (principalmente ciclídeos) no Lago Malawi
(Nyasa, Niassa). A Bacia apresenta alguns dos melhores
sub-ecossistemas, biomas e paisagens da região,
caracterizados por reservas de florestas de Teca na
Zâmbia e Zimbabwe, zonas húmidas e áreas protegidas.
Em termos dos grandes tipos de vegetação, quase
metade da Bacia pode ser classificada como mata de
miombo mais ou menos húmida. Outros tipos de
vegetação são as matas de mopane, mosaicos de
vários tipos de matas, florestas secas incluindo a
dominada pela Teca do Zambeze, com zonas de
prado, e as matas abertas dominadas por várias
espécies de acácia. O vasto leque de ambientes
terrestre e aquático albergam diferentes tipos de
espécies animais e aquáticas.
Mais de 10 por cento da Bacia é protegido por áreas
de conservação como os parques nacionais e as
reservas de caça. As áreas protegidas incluem o Parque
Nacional de Kameia (Angola), o Parque Nacional de
Chobe(Botswana), o Parque Nacional de Nyika
(Malawi), o Parque Nacional de Gorongoza-Marromeu
(Moçambique), a Reserva de Caça de Caprivi (Namibia),
o Parque Nacional do Planalto de Kitulo (Tanzânia), os
Parques Nacionais de Kafue, Luangwa e Baixo Zambeze
(Zâmbia) e as Quedas Vitoria, bem como os Parques
Nacionais de Hwange e Mana Pools (Zimbabwe).
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