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SADC Today, Vol. 7 No. 3 Agosto 2004
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Cimeira económica realça mudanças positivas em África -   -por Munetsi Madakufamba

ACimeira Económica de África do Fórum Económico Mundial (FEM), realizada nos inícios de Junho em Maputo, capital moçambicana, pronunciou-se veemente contra a repetida reportagem negativa de África, tendo reafirmado que há muitas mudanças positivas que têm sido muitas vezes ignoradas.

A cimeira, que reuniu conjuntamente líderes políticos, do mundo de negócios e da sociedade civil, debateu que enquanto erros foram cometidos no passado, muito tem sido feito para criar um ambiente conducente ao investimento estrangeiro.

Usando um exemplo de uma chamada de atenção feita pelo Presidente sulafricano Thabo Mbeki durante uma das sessões, o Presidente anfitrião Joaquim Chissano disse que jornalistas só reportam quando as Linhas Aéreas da África do Sul têm os voos atrasados.

“Por favor reportem quando começarmos a partir a tempo, pois a África já começou a partir a tempo e horas”, disse Chissano, enfatizando. “Vamos partir todos juntos a tempo e chegar ao nosso destino a horas. O destino hoje são os Objectivos do Desenvolvimento do Milénio, a derrota da pobreza absoluta e o início do desenvolvimento sustentável para todos”.

A Cimeira Económica de África é um evento anual promovido pelo FEM, baseado na Suíça. A cimeira de Maputo centrou-se no papel e contribuição dos negócios no desenvolvimento, realçou as melhores práticas e resultou em acções concertadas entre os diferentes actores.

Thulani Gcabashe, Chefe Executivo da companhia sul-africana de energia eléctrica, Eskom, desafiou todos os actores a alinharem e integrar as suas acções e descobrir sinergias. Como exemplo, ele disse que o sector privado não está a corrente do que a Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD) está a realizar a curto prazo na área de projectos de infra-estruturas.

Ele revelou que 20 projectos da NEPAD estão esperando desenvolvimento e implementação, cinco dos quais no sector de energia. O maior e mais ambicioso é o projecto do Corredor Ocidental, que planeia desenvolver e n e rgia hidroeléctrica em Inga III, na República Democrática do Congo e poder abastecer vários países da SADC.

O Secretariado do NEPAD foi desafiado a assegurar um melhor fluxo de informação de forma a que a comunidade de negócios possa conhecer tais oportunidades.

Levy Mwanawasa, Presidente da Zâmbia, disse que os governos têm a responsabilidade de assegurar que o desenvolvimento é equitativo e que a cada área de negócio sejam dadas linhas de orientação sobre onde investir num país. Reafirmou também ser importante pôr cobro à migração urbana proveniente de áreas subdesenvolvidas.

Como outros países africanos, o Presidente Mwanawasa disse que a Zâmbia encoraja o investimento estrangeiro directo, mas disse querer que os investidores estrangeiros abracem parcerias com os empresários locais. Argumentou que tal é necessário como forma de permitir que os locais possam também apropriar-se dos instrumentos de desenvolvimento e assegurar que com a retirada dos investidores, os investimentos permanecem.

Hilde F. Johnson, Ministra norueguesa do Desenvolvimento Internacional, apelou por seu turno à reforma da agenda global, que afirmou ser um pré-requisito para o sucesso de África. Ela disse que o desafio de atrair o investimento para o continente é manifestado pelo facto de a África ainda só conseguir 2 a 3 por cento do investimento directo estrangeiro. A África ainda está muito aquém nas perspectivas dos progressos rumo aos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio, e doadores e investidores ainda vivem uma mistura de experiências no continente, notou a ministra norueguesa.

Se a África tem que conseguir uma maior e melhor ajuda, o continente e os seus parceiros de cooperação devem melhorar a forma como trabalham juntos. Um grande impedimento para tal é a multiplicidade das condições do quadro internacional nas documentações nas áreas financeira, comercial e de licitações. Esforços para harmonizar os requisitos estão a registar progressos lentos.

Johnson citou o exemplo da Tanzânia, onde o ministro das finanças lamentou, há alguns anos, ter que ler anualmente 10.000 relatórios e reunir-se com 2.000 missões de doadores.

Ela criticou o que apelidou de “circo de doadores”, onde alguns doadores estão mais interessados em hastear bandeiras e afirmar a sua imagem que em contribuir para o progresso no terreno. O objectivo é ter um documento unificado de solicitação, mas alguns “doadores defensores de imagem”, resistem a tal, disse a ministra norueguesa.

Mantendo a tradição africana, os participantes, numa das sessões sobre a Liderança Africa para o Futuro, reuniramse sob as sombras de figueiras em Maputo, tendo reiterado a ideia da necessidade de investir-se no desenvolvimento da liderança aos níveis comunitários.

Os participantes notaram que África tem os seus próprios valores – particularmente a sabedoria tradicional que leva a consensos. Concordaram que tais valores devem ser usados para cultivar os líderes de África para o futuro.

A anterior Cimeira Económica de África realizara-se em 2003, em Durban, na África do Sul. .


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SADC Today, Agosto 2004
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