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Sumário


 

 

A procura de água na África Austral está a aumentar, à medida que a população humana cresce e os países se tornam mais industrializados e urbanizados.

 

 

A gestão dos recursos hídricos requer medidas de educação, consciencialização e participação plena de todos, de modo a reduzir a quantidade de água utilizada, por oposição à água requerida.

 

 

São vários os problemas e questões que afectam a gestão eficiente dos recursos hídricos da bacia. Entre estes contam-se a poluição, a eutroficação, o assoreamento nduzido por mau aproveitamento da terra, a alteração dos regimes de curso alterados, as ervas aquáticas, a maior concorrência em torno da água, a degradação do potencial e destruição dos ecossistemas de zonas húmidas, o mau planeamento e abordagens sectoriais.
Estado do Ambiente na
Bacia do Zambeze
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RECURSOS HÍDRICOS

O desenvolvimento económico dos países ripícolas é em grande medida dependente da disponibilidade de água. A água é também o elemento principal nos ecossistemas de zonas húmidas, desempenhando um papel crucial na biosfera. A distribuição dos recursos hídricos na bacia é desigual e é principalmente influenciada pela precipitação e por outros factores físicos ambientais. Os recursos hídricos na bacia encontram-se em lagos naturais, como o Lago Malawi/Niassa e em outros mais pequenos, nos lagos artificiais, incluindo o Lago Kariba e Cahora Bassa, e nos numerosos rios e afluentes. A água subterrânea é também uma importante fonte de água na bacia.

Procura de água

A procura de água na África Austral está a aumentar, à medida que a população humana cresce e os países se tornam mais industrializados e urbanizados. Alguns países, como a África do Sul, tomaram já consciência que as suas fontes internas de água (incluindo as importações do Lesoto) não serão suficientes para sa- tisfazer a procura até ao 2030. A cidade de Bulawayo, no Zimbabwe, terá em breve que aumentar o seu abastecimento. O Botswana poderá estar a importar água no ano 2020.

Apesar de Angola e a Zâmbia terem reservas de água adequadas para o futuro, os restantes estados da bacia estão já a enfrentar problemas ou estarão a fazê-lo nas próximas três décadas. A Namíbia não tem rios interiores permanentes e tem grandes dificuldades em mobilizar a água disponível para satisfazer a procura actual. O Botswana é um país seco, que sobrevive à custa de reservas subterrâneas de água, insuficientes para satisfazer a procura da sua população em crescimento. Apesar de o Zimbabwe ter presentemente recursos razoáveis de água, em 2025 virá a enfrentar alguns problemas, juntamente com Moçambique e a Tanzânia. O Malawi defronta-se actualmente com pro- blemas de água (escassez absoluta) e, no ano 2025, o país estará para além da barreira de água.

As grandes exigências com que se defrontam os recursos de água são, em muitos casos, conflituosas, e tendem a criar tensões e conflitos. Estes conflitos em torno dos recursos hídricos estão a aumentar na Bacia do Zambeze, à medida que cada vez mais áreas estão a ser abertas ao desenvolvimento económico. Entre estes conflitos contam-se:

  • partilha equilibrada de recursos entre dois ou mais estados ripícolas;
  • rateio da água entre as propriedades agrícolas comerciais de pequena e grande dimensão;
  • o acesso e utilização de água entre agricultores comerciais dentro da bacia de um rio determinado ou entre diferentes tipos de utilização agrícola.

Existem também conflitos entre:

  • utilizadores agrícolas e utilizadores urbanos, industriais e de mineração;
  • comunidades e governo;
  • autoridades locais e poluidores da água;
  • homens e mulheres em torno das questões do acesso aos recursos aquáticos;
  • ministérios do governo e entre diferentes políticas de abordagem.

Irrigação e utilização doméstica

Na bacia, existe um total de 1.716 quilómetros quadrados de terra irrigada, encontrando-se 47,1 quilómetros quadrados se encontram no Alto Zambeze, 653,6 quilómetros quadrados no Zambeze Intermédio, e 1.014,8 quilómetros quadrados no Baixo Zambeze. A irrigação consome anualmente cerca de 1.500 milhões de metros cúbicos de água, estando mais de 50% da água disponível na bacia a ser utilizada para este fim.

Indústria

A procura de água pela indústria concentra-se principalmente nas áreas urbanas, onde a água é utilizada na manufactura, e nas zonas rurais e peri-urbanas, na mi- neração. Entre as principais indústrias da bacia contam-se as de processamento de alimentos e de bebidas, e o fabrico de têxteis e vestuário, madeira e derivados, papel, produtos químicos, borracha e plástico, produtos de metal e outros.

Em alguns países é difícil quantificar a água utilizada na indústria de manufactura. No caso do Malawi, por exemplo, "não são recolhidas nem guardadas estatísticas". Estima-se que a demanda de água pela indústria de manufactura na Zâmbia cresça de 224.000 metros cúbicos por dia para 366.700, em 1990, e para 446.100 metros cúbicos por dia, em 2015.

Utilização de água não consumível

É também provável que cresça a utilização de água não consumível, particularmente à medida que melhora o estado da economia nos países ripícolas e se reco- nhece a necessidade de diversificação. Tal implicaria a expansão de indústrias que não consomem água, como o turismo, a produção hidroeléctrica de energia e outras.

Energia hidroeléctrica

Embora a produção de energia hidroeléctrica em si mesma não consuma água, ocorrem grandes perdas por evaporação nos vastos reservatórios que são criados para garantir um caudal constante através das turbinas. Estima-se que as perdas anuais por evaporação na bacia são de 14,3 milhões de metros cúbicos, 95% das quais acontece a partir das principais massas de água.

Gestão dos recursos hídricos Instituições

O planeamento de serviços relacionados com a água engloba a gestão ao nível da bacia e da sub-bacia, o desenvolvimento das infra-estruturas de abastecimento de água, a fiscalização dos recursos hídricos e o aprovisionamento de água aos consumidores rurais e urbanos. A legislação pode determinar o tipo de acessórios de baixo consumo de água a serem instalados em todas as novas construções. Em relação a acessórios já existentes, programas de reparação e su- bstituição podem constituir ferramentas de sucesso para a conservação e gestão de água. Através de uma campanha vigorosa, a procura doméstica global de água pode ser reduzida até 50% com a instalação de acessórios adequados de poupança de água.

A gestão dos recursos hídricos requer medidas de educação, consciencialização e participação plena de todos, de modo a reduzir a quantidade de água utilizada, por oposição à água requerida. Para além da fisca- lização do recurso, a legislação precisa de considerar fiscalizar a utilização doméstica, industrial, agrícola e de outros sectores. É também importante que seja considerada a água utilizada pelo meio ambiente.

Implantação de políticas

As políticas existentes tanto ao nível nacional como regional são inadequadas. A imposição de políticas permite aos utilizadores de água agir em conformidade com regras estabelecidas que promovam uma melhor gestão e utilização do recurso. A abertura de furos privados e a construção de barragens por privados - empresas e indivíduos - sem que adquiram primeiro o direito de o fazer junto de quem implanta tais políticas, por exemplo, dificulta uma boa quantificação da água.

As perdas por fugas, equipamentos defeituosos ou por outros meios podem ser solucionadas através de uma imposição constante da política existente, em que o utilizador pague pela água. As iniciativas políticas podem ainda considerar incentivos aos consumidores domésticos e industriais através de uma redução nos impostos para as classes fiscais que melhor ajam em conformidade com os métodos óptimos de utilização da água.

Preço da água

O preço da água nos estados da bacia varia com as categorias de consumidores. No Zimbabwe, por exemplo, o preço da água está actualmente subvalorizado. O principal mecanismo de determinação do preço da água é o preço "misto" nacional, para o qual é calculada a média dos custos históricos de várias barragens construídas pelo governo e de outros trabalhos associados. O problema com o sistema actual é a utilização do preço nacional misto. Esta medida mal segue o "princípio do utilizador pagador". O sistema implica ainda subsídios cruzados, com alguns consumidores pagando mais do que os custos, e outros pagando muito menos.

São vários os problemas e questões que afectam a gestão eficiente dos recursos hídricos da bacia. Entre estes contam-se a poluição, a eutroficação, o assoreamento induzido por mau aproveitamento da terra, a alteração dos regimes de curso alterados, as ervas aquáticas, a maior concorrência em torno da água, a degradação do potencial e destruição dos ecossistemas de zonas húmidas, o mau planeamento e abordagens sectoriais.

Alguns estados ripícolas embarcaram em programas nacionais de reforma sobre a água, cujos principais objectivos são os de melhorar a gestão dos recursos hídricos através da reavaliação legislativa e institucional. O Malawi, a Namíbia, a Zâmbia e o Zimbabwe estão envolvidos em programas de reforma dos recursos hídricos, cujos principais objectivos são os de melhorar a gestão da água e assegurar uma distribuição equitativa.

Em toda a Bacia do Zambeze existe uma força em prol do maior envolvimento das comunidades na gestão e conservação da água e das zonas húmidas. No Malawi e na Namíbia, foram postos a funcionar mecanismos de gestão da água bem sucedidos, através da criação de comités de pontos de água, enquanto em Moçambique existem cooperativas de irrigação.

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