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Sumário


 

 

Cerca de 74% das necessidades totais de energia dos oito estados da Bacia do Zambeze provêm de combustíveis de biomassa, como a lenha, o carvão vegetal e os detritos vegetais, sendo essa energia utilizada essencialmente em usos domésticos e no processamento do tabaco. Os combustíveis de biomassa são ainda utilizados na manufactura de tijolos, na produção de cal, na fumagem de peixe e na secagem do chá e do café.

 

 

Foram identificadas na bacia cerca de 40 possíveis unidades novas de produção hidroeléctrica, com uma capacidade de instalação total de mais de 13.000 MW. Cerca de 85% desta capacidade está localizada no Rio Zambeze propriamente dito, pertencendo a restante aos seus afluentes.

 

 

A utilização crescente de veículos a motor está a aumentar a emissão de gases de efeito de estufa como o metano, o ozono, o monóxido de carbono, óxidos de azoto e, o mais importante de todos, o dióxido de carbono.
Estado do Ambiente na
Bacia do Zambeze
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ENERGIA

Os recursos energéticos encontrados na Bacia do Zambeze incluem recursos renováveis, como a biomassa e a energia hidroeléctrica, e não renováveis, como o carvão e o petróleo, bem como tecnologia para novas energias, como a solar e a eólica.

Cerca de 74% das necessidades totais de energia dos oito estados da Bacia do Zambeze provêm de combustíveis de biomassa, como a lenha, o carvão vegetal e os detritos vegetais, sendo essa energia utilizada essencialmente em usos domésticos e no processamento do tabaco. Os combustíveis de biomassa são ainda utilizados na manufactura de tijolos, na produção de cal, na fumagem de peixe e na secagem do chá e do café.

São várias as razões da utilização excessiva de lenha na bacia:

  • Uma vez que as florestas são um recurso renovável, podem ser perpetuamente exploradas, desde que adequadamente geridas. Além do mais, a lenha é, por enquanto, a fonte de energia mais fiável e disponível para muitos agregados familiares.
  • A lenha é uma fonte indígena de energia. Não é necessária moeda estrangeira para a adquirir.
  • Na maior parte das áreas, a lenha não é comprada, apenas é recolhida pelos agregados familiares rurais. Este "recurso gratuito" permite aos agregados pobres canalizarem o seu rendimento para outras necessidades.
  • Em alguns países, particularmente naqueles em que a utilização de carvão vegetal é dominante, a comercialização deste constitui uma importante fonte de rendimento para algumas famílias. Na Zâmbia, por exemplo, a indústria do carvão vegetal gera anualmente cerca de trinta milhões de dólares norte-americanos. Cerca de 60.000 pessoas dependem directamente deste no que se refere ao grosso do seu rendimento.

Em Angola, não foi realizado nenhum inventário energético desde que terminou o colonialismo. O Botswana tem abundantes recursos energéticos sob a forma de madeira. Embora em algumas áreas a madeira seja recolhida a taxas insustentáveis, ela é excedentária no país como um todo. Apenas são reco-lhidas 1,8 milhões de toneladas, de um incremento anual de biomassa da ordem dos 50 milhões de toneladas. No Malawi, 90% da energia total fornecida por biomassa é sob a forma de madeira. Juntos, a biomassa e o biogás totalizam cerca de 92% de toda a energia consumida.

Cerca de 80% da população de Moçambique habita em áreas rurais e depende da lenha para cozinhar, bem como para aquecer água para uso doméstico, para aquecimento da habitação e para a secagem de produtos alimentares. Mais de 90% das famílias utilizam exclusivamente lenha para cozinhar, enquanto menos de 10% recorrem ao carvão.

Na Namíbia, faz-se o desbravamento indiscriminado de árvores em reservas florestais para a obtenção de lenha, sem "se dar tempo de regeneração". Isto observa-se particularmente na região norte do país. A condição predominantemente desértica agrava também este problema. Os agregados familiares rurais utilizam lenha para satisfazer até 90% das suas necessidades de energia, o que resulta num intenso desflorestamento.

Na Tanzânia são consumidos cerca de 25 milhões de metros cúbicos de combustíveis provenientes da madeira, cerca de 97% dos quais em forma de lenha, nas áreas rurais. Tal como em outros países da bacia, os níveis de consumo excedem as taxas de regeneração e de plantio. O carvão vegetal é também muito utilizado, em especial nas áreas urbanas, onde 70% da população recorre a este para obter energia. Estima-se que as matas e florestas cobrem cerca de 100.000 quilómetros quadrados na Zâmbia, o que constitui cerca de dois terços ou 66% da área total de terra do país.

A madeira é também a maior fonte de energia no Zimbabwe, fornecendo cerca de 57% da energia total consumida no país. São consumidos anualmente mais de 6 milhões de toneladas de madeira, abastecendo principalmente as comunidades rurais e os pobres das zonas urbanas.

Electricidade

A electricidade é de origem hídrica ou térmica, o que a torna, respectivamente, renovável ou não renovável. O poder hidroeléctrico do Rio Zambeze está estimado em 20.000 megawatts (MW), dos quais foram já aproveitados 4.684 MW. Foram também já identificadas na bacia as centrais hidroeléctricas potenciais, com uma capacidade de instalação total de mais de 13.000 MW. A Bacia do Zambeze é uma fonte de energia hidroeléctrica na região da África Austral. Em toda a África Austral, é ultrapassada apenas pelo Rio Congo, que detêm o maior recurso hídrico de toda a África. O potencial hídrico do Rio Zambeze e dos seus afluentes está já a ser explorado pela maior parte dos países da bacia, como Malawi, Moçambique, Zâmbia e Zimbabwe. Em Angola, Malawi, Moçambique, Zâmbia e Zimbabwe, existem 42 locais potenciais de aproveitamento hidroeléctrico na Bacia do Zambeze (12.892 MW). Os outros países da região da SADC, localizados fora da bacia, poderão beneficiar da importação directa de electricidade a partir das unidades de produção do rio e através da SADC Power Pool (SAPP). A África do Sul é um exemplo, importando electricidade da Barragem de Cahora Bassa, em Moçambique.

Não existem unidades hidroeléctricas na Bacia do Zambeze em Angola, Botswana ou Namíbia. Dos 4.620 MW disponíveis, cerca de 5% estão no Malawi, 45% em Moçambique, 36% na Zâmbia e 14% no Zimbabwe. A unidade hidroeléctrica de Cahora Bassa, que tem uma capacidade de 2.075 MW, é a maior da SADC, seguida pela de Inga, na República Democrática do Congo, com 1.771 MW.

Foram identificadas na bacia cerca de 40 possíveis unidades novas de produção hidroeléctrica, com uma capacidade de instalação total de mais de 13.000 MW. Cerca de 85% desta capacidade está localizada no Rio Zambeze propriamente dito, pertencendo a restante aos seus afluentes. Perto de metade do potencial delineado está localizado em Moçambique, cerca de 25% na Zâmbia e cerca de 20% no Zimbabwe. Um pouco mais de 5% deste potencial está dividido entre Angola, Malawi e Tanzânia.

Na região, são utilizados carvão e metano de carvão em leito para gerar energia térmica, o que contêm abundantes reservas de carvão.

As centrais térmicas mais importantes da bacia estão localizadas no Zimbabwe. A Hwange Power Station tem uma capacidade de 920 MW. Outras três centrais térmicas estão localizadas em Harare (135 MW), Bulawayo (120 MW) e Munyati (120 MW). Uma outra central térmica, na mina de carvão de Sengwa, com uma capacidade de 1.200 MW, atingiu já um adian-tado estado de desenvolvimento, envolvendo principalmente produtores privados de energia. Dispersas pelo país encontram-se também várias centrais de gasóleo, com uma capacidade total de cerca de cerca de 4 MW. As centrais térmicas no Malawi incluem a turbina a gás de Chichiri (15 MW), em Blantyre, unidades a gasóleo em Lilongwe (4,3 MW) e Mzuzu (1,8 MW), todas alimentando a rede nacional. As unidades de turbina a gasóleo e a gás servem como fontes de fornecimento de energia de reserva. Chitipa é abastecida por uma unidade a gasóleo externa à rede, com uma capacidade de 300 MW.

As reservas de carvão dentro da bacia são principalmente utilizadas para a produção de energia térmica, uso doméstico (cozinha e aquecimento), na indústria, ( fundições e manufactura de produtos químicos), no comércio (secagem do tabaco) e na tracção ferroviária. A produção total de carvão na região da SADC aumentou de 212, 24 milhões de toneladas, em 1996, para 223,98 toneladas, em 1997.

A energia solar proporciona uma fonte não polui-dora de energia e pode melhorar o nível de vida das comunidades que, de outra forma, não têm acesso à rede de distribuição de electricidade. O custo das tecnologias de aproveitamento da energia solar tem vindo a entravar a sua mais rápida disseminação mas, ao longo das últimas décadas, os preços têm vindo a baixar. Os esforços internacionais para tornar os produtos solares mais baratos têm também contribuído para levar programas até às comunidades pobres. Um exemplo é o projecto Solar Global Environmental Facility (GEF), que decorreu no Zimbabwe entre 1992 e 1997, tendo instalado mais de 10.000 sistemas.

Alguns impactos do sector da
energia no meio ambiente

A produção e utilização de todas as formas de energia têm associadas consequências ambientais. A combustão de lenha, por exemplo, contribui para o desflorestamento, um dos factores que conduz à erosão dos solos, ao assoreamento e, em última análise, à degradação da terra. Além disso, a destruição das florestas reduz a capacidade da região de refrear as alterações climáticas, uma vez que as florestas actuam como colectores de dióxido de carbono.

Tanto quanto existe a necessidade de electricidade gerada por centrais hidroeléctricas, a construção de barragens pode ter impactos negativos alargados sociais e ambientais. Entre estes contam-se o deslocamento de pessoas e animais, o desaparecimento de património importante, de plantas e de animais. Entre outros impactos incluem-se o esgotamento de habitats de zona húmida e da vida aquática, o aumento de doenças transmitidas pela água, a sedimentação, o assoreamento e as cheias induzidas por assoreamento. No Lago Kariba, por exemplo, foram deslocadas mais de 57.000 pessoas, enquanto em Cahora Bassa, em Moçambique, cerca de 25.000 pessoas tiveram que ser realojadas.

A mineração, o processamento, o armazenamento e a utilização de combustíveis fósseis têm efeitos negativos no meio ambiente. A produção térmica de energia, por exemplo, tem muitos impactos ambientais negativos. Estes vão desde a descarga de carvão nas carvoarias e a emissão de gases provenientes da combustão do carvão e do gasóleo até à poluição subterrânea. Afectam ainda a qualidade do ar, da superfície e a utilização da terra.

Em África como um todo, o sector da energia é responsável por um terço das emissões de gases de efeito de estufa. As emissões estimadas de dióxido de carbono para os estados da Bacia do Zambeze totalizou cerca de 23,14 milhões de toneladas, em 1995 (não havia informação disponível referente à Namíbia). Este número parece pequeno quando comparado com a África do Sul, que emitiu 305,81 milhões de toneladas em 1995, e com os EUA, que emitiram 5.468,56 milhões de toneladas, mas as emissões acumuladas ao nível global terão impacto em todas as regiões, incluindo os estados da SADC.

Embora a magnitude dos riscos da poluição atmosférica para o meio ambiente regional seje, em grande medida, desconhecida, acredita-se, porém, que a vegetação, os solos e a água estejam a sofrer o impacto dos efeitos directos dos poluentes gasosos e da chuva ácida, que se forma quando o dióxido de enxofre se mistura com a água das chuvas. A recolha de dados sobre as emissões e os seus impactos não está ainda bem desenvolvida em toda a região, mas 89% da electricidade produzida na SADC vem do carvão, contribuindo anualmente com milhares de toneladas de sulfatos para a atmosfera que, mais tarde conduzem à chuva ácida nos países da bacia.

Outro problema relacionado com a utilização de fontes de energia não renováveis são os fumos do escape dos veículos propulsionados por combustíveis fósseis. O desenvolvimento económico tem tido impacto sobre o estilo de vida, em particular nas zonas urbanas, onde muitas pessoas aspiram ter o seu próprio veículo. O Zimbabwe, por exemplo, tem mais de 500.000 veículos a circular nas suas estradas. A utilização crescente de veículos a motor está a aumentar a emissão de gases de efeito de estufa como o metano, o ozono, o monóxido de carbono, óxidos de azoto e, o mais importante de todos, o dióxido de carbono.

Políticas energéticas

Dando reconhecimento à importância da energia como condição básica para o desenvolvimento sócio-económico, os políticos da SADC têm produzido diversas propostas e planos sobre como desenvolver e utilizar as vastas fontes de energia existentes, para a promoção do processo de industrialização, com vista a alcançar o desenvolvimento económico e aumentar o nível de vida das pessoas. Contudo, as várias institui-ções regionais e sub-regionais não obtiveram ainda sucesso na implantação de políticas e estratégias energéticas coordenadas e coerentes.

Um exemplo é o Protocolo sobre a Energia da SADC, que constitui uma iniciativa regional que promove a cooperação em todo o sector da energia. A implementação efectiva do protocolo não foi ainda efectuada.

Todavia, o esforço de cooperação mais notável e pragmático na região da África Austral é a Southern African Power Pool (SAPP). Todos os países da SADC acordaram em cooperar em projectos e comercialização da electricidade. O comércio de electricidade na região, porém, existe desde os anos 50, altura em que foram estabelecidas interligações entre países como a Zâmbia, o Zimbabwe e a RDC.

A conservação é, possivelmente, o recurso energético mais eficiente hoje em dia na região. Há indicações claras da existência de possibilidades subs-tanciais de conservar energia através de uma melhor economia doméstica e de equipamentos mais eficientes em todos os sectores. Evitando os métodos esbanjadores de energia dos países anteriormente industrializados, os países da Bacia do Zambeze podem colher benefícios tanto económicos como ambientais. Tal requer, no entanto, programas cuidadosamente elaborados e abrangentes, que promovam a conservação com eficiência de custos e eficácia.

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