CLIMA E SECAS
A variabilidade da precipitação anual nos países que integram a bacia é
bastante elevada, tendo a década de 70 sido relativamente chuvosa, enquanto o período
entre 1980 e 1990 foi relativamente seco.
A seca é o desastre natural individual mais crucial de entre os que afectam a Bacia do
Zambeze. A investigação revela que ocorrem secas nos países da bacia a cada 10 ou 15
anos. Desde o início do século XX, oito períodos de mais ou menos nove anos alternaram
com períodos idênticos de precipitação abaixo do normal. Estes períodos, porém, não
ocorreram exactamente na mesma altura nem afectaram de igual modo todos os países, o que
faz com que seja difícil acompanhar as tendências.
As secas das décadas de 80 e 90 tiveram um impacto negativo nos estados da Bacia do
Zambeze. Por exemplo, o nível do Rio Zambeze no lago Kariba decresceu de 487,5 m amsl em
1981 (nível máximo de retenção: 488 m amsl) para 475,9 m amsl (nível mínimo de
retenção: 475,5 m amsl) em 1992, reflectindo uma queda de 11,6 metros de água ao longo
de uma década. No que se refere à disponibilidade de água e à capacidade de produção
hidroeléctrica de energia, as graves secas de 1991/92 e 1994/95 tiveram consequências
quase calamitosas em alguns dos países da bacia. O período entre 1985 e 1995 foi
desastroso para muitas comunidades rurais, particularmente em Moçambique, no sul da
Zâmbia e no Zimbabwe. Os furos secaram, tornando impossível o cultivo e a manutenção
do gado, forçando mulheres e crianças a caminharem longas distâncias para recolher a
água necessária às suas famílias. A seca de 1991/92 foi particularmente intensa,
colocando em risco de inanição mais de 18 milhões de pessoas em 10 países da região
da SADC. Um relatório do WWF acrescenta ainda que "Yos habitantes das cidades
também foram afectados. O abastecimento de água à capital do Zimbabwe, Harare, baixou
para níveis alarmantes durante 1995, e os cortes de energia tornaram-se comuns. Em
Outubro de 1995, a barragem de Kariba, que produz a maior parte da electricidade do país,
funcionava apenas a 14% da sua capacidade".
Desde que a seca de 1991/92 debilitou a maior parte das economias da África Austral, a
recuperação tem sido muito lenta. Após uma pequena pausa durante a estação chuvosa de
1992/93, a seca instalou-se com persistência, em consequência do El Niño / Oscilação
Sul (ENOS). Por exemplo, houve uma queda de 17% na produção de milho na campanha
agrícola de 1993/94 comparativamente à campanha de 1992/93, uma vez que a maior parte
dos países da região atra- vessaram uma estação de crescimento climaticamente
desfavorável. Os vários défices de precipitação na maior parte da sub-região
resultaram em colheitas insuficientes no sul da Zâmbia e em partes do Zimbabwe. Só as
chuvas abundantes de 1995/96 impediram uma crise energética e agrícola na Zâmbia e no
Zimbabwe.
Alterações climáticas
De acordo com o World Wide Fund for Nature (WWF), existem indicações de alterações
climáticas na África Austral. O WWF afirma que o aquecimento do planeta está já a
afectar grande parte da África Austral.
Os registos nos países que constituem a SADC revelam que as temperaturas aumentaram
mais de 0,51C nos últimos 100 anos, tendo a última década sido a mais quente e seca de
sempre. Ao longo dos últimos 20 anos tem havido notoriamente menos precipitação e a
seca tornou-se uma ameaça cada vez maior. Estas preocupantes alterações estão a
acontecer apesar do facto de África pouco ter contribuído para o aumento da
concentração, na atmosfera, de gases que provocam o efeito de estufa.
As projecções existentes indicam que a África Austral será afectada pelo
aquecimento global tanto no Verão como no Inverno, que a precipitação poderá diminuir
um pouco em determinadas áreas e que a humidade no solo provavelmente decrescerá de um
modo mais generalizado com a duplicação do dióxido de carbono.
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