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Sumário


 

 

O número de espécies de insectos e outros invertebrados presentes na bacia é desconhecido, mas é provável que se situe nas dezenas, se não centenas de milhar.

 

 

A introdução da sardinha do Lago Tanganhica no Lago Kariba no finalda década de 60 não resultou em perda de biodiversidade porque foi criado um novo habitat para o qual não existiam espécies nativas que o ocupassem. No entanto, foi manifestado receio em relação à possível introdução da kapenta no Lago Malawi/Niassa, onde se alimentaria de moscas lacustres, que constituem o alimento principal para algumas das espécies endémicas de ciclídeos, colocando estas em perigo.

 

 

A gestão da fauna bravia tem historicamente estado às avessas com o estado detentor desta fauna em áreas protegidas ou que impõe legislação através de agências governamentais. Todavia, têm sido introduzidas algumas respostas inovadoras à debilidade da gestão da fauna bravia
Estado do Ambiente na
Bacia do Zambeze
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RECURSOS BIOLÓGICOS E DIVERSIDADE

A Bacia do Zambeze tem quatro biomas principais, vastas regiões ecológicas caracterizadas por clima, vegetação e espécies idênticas: Congolês, Zambeziano, Montanhoso e Costeiro. O Lago Malawi/Niassa poderá ser considerado como um quinto bioma, embora apenas no que diz respeito aos organismos aquáticos, tais como os peixes associados a este lago de águas profundas.

Para além do Lago Malawi/Niassa e no que se refere aos organismos aquáticos, não existem centros principais de endemismo nem "locais populares" especiais para a maior parte dos grupos, embora as zonas montanhosas e a floresta húmida sustentem espécies que não se encontram em mais nenhuma zona da bacia.

  • A bacia tem um total de 200 espécies de mamíferos.
  • As aves da bacia são comparativamente bem conhecidas. Existem cerca de 700 espécies registadas, das quais apenas 15 ou 20 são endémicas da bacia, incluindo o periquito de faces pretas e a garça cinzenta pequena. De entre estas espécies, 167 estão associadas a zonas húmidas. As zonas húmidas e outros habitats da Bacia do Zambeze são locais importantes para as espécies migratórias afro-tropicais e paleo-árticas, consistindo em 70 e 90 espécies, respectivamente.
  • As espécies de peixes da bacia têm sido relativamente bem documentadas, devido principalmente ao seu interesse económico, embora os detalhes relativos à diversidade de peixes no Delta do Zambeze sejam ainda escassos. Estão registadas na bacia cerca de 165 espécies de peixes de água doce, para além das mais de 500 e spécies endémicas -principalmente de ciclídeos - no Lago Malawi/Niassa.
  • Estão registadas cerca de 200 espécies de répteis e 90 de anfíbios. Muito poucas destas são endémicas da bacia ou de áreas dentro dela.
  • Com excepção de grupos como libélulas, borboletas, moluscos de água doce, escaravelhos coprófagos e gafanhotos/grilos, a biodiversidade de invertebrados na Bacia do Zambeze não é bem conhecida. Para além disso, os grupos com um interesse económico particular - mosquitos, mosca tsé-tsé, gafanhotos, carraças e pragas agrícolas - têm sido alvo de estudos detalhados. O número de espécies de insectos e outros invertebrados presentes na bacia é desconhecido, mas é provável que se situe nas dezenas, se não centenas de milhar.
  • As libélulas são um grupo de insectos principalmente confinado à água e aos locais húmidos, onde procriam. De entre as 210 espécies registadas na bacia, 136 estão disseminadas pelo afro-trópico, enquanto 74 espécies parecem ter distribuição restrita.
  • Existem cerca de 1.100 espécies de borboletas registadas na Bacia do Zambeze. A área mais rica é, uma vez mais, a cabeceira do Zambeze, em torno de Mwinilunga, onde foram já registadas 340 espécies.

Os moluscos de água doce estão comparativamente bem estudados na bacia, dado que algumas espécies são hospedeiras intermediárias do parasita que causa a esquistossomose, ou bilharziose. De entre as 98 espécies indígenas registadas na bacia, 47 encontram-se no Lago Malawi/Niassa. Destas 98 espécies, 28 são endémicas da bacia, incluindo 23 endémicas do Lago Malawi/Niassa, o que demonstra a importância deste lago único em termos de biodiversidade.

A importância económica da fauna bravia é óbvia - é fonte de carne em muitas áreas e um forte foco de atracção turística em outras. Entre as aves com importância económica contam-se os patos e os gansos, muitos dos quais são caçados para a obtenção de carne. Algumas das zonas húmidas da bacia, como as planícies de Kafue, têm-nas em grande concentração. As perdizes e as galinhas do mato são também caçadas para alimentação em muitas áreas.

Economicamente, o peixe é de maior importância nas áreas próximas de reservatórios e ao longo dos principais rios. A sardinha do Lago Tanganhica, ou kapenta, foi introduzida no Lago Kariba no final da década de 60 e, mais recentemente, em Cahora Bassa. Esta espécie constitui, hoje em dia, a base de uma enorme pescaria industrial. Em 1997, por exemplo, foram capturadas 17.034 toneladas de kapenta só no lado Zimbabweano do Lago Kariba, comparativamente a 1.172 toneladas em 1977.

Entre os répteis de importância económica incluem-se as tartarugas e os crocodilos. A criação do crocodilo do Nilo é hoje em dia um empreendimento comercial no Vale do Zambeze, sendo os ovos muitas vezes recolhidos na natureza e sendo repostos nela alguns juvenis de um ou dois anos de idade, para mantêr as populações selvagens.

Ameaças à biodiversidade

As principais alterações da biodiversidade tiveram origem no desbravamento de terras e na sobre-exploração de certas espécies com valor económico, na construção de barragens de dimensão média ao longo do Rio Zambeze e na sua contenção. A poluição e as queimadas são outras das ameaças à biodiversidade na Bacia do Zambeze.

A terra continua ainda a ser desbravada para a agricultura, em particular naquelas que eram áreas agrícolas marginais no Vale Médio do Zambeze, e também para as populações urbanas em crescimento na Zâmbia e no Zimbabwe. Na Zâmbia, por exemplo, o Banco Mundial prevê que a conversão de florestas em zonas cultivadas aumente à razão de 1,5% ao ano.

A introdução de organismos exóticos constitui uma grande fonte de preocupação para os conservacionistas. Algumas espécies exóticas podem competir com sucesso com as espécies nativas ou modificar a ecologia de uma área. Entre os vários exemplos pode ser mencionada a invasão de pinheiros e de acácias nas pradarias de montanha do Monte Mulanje, no Malawi, e Nyanga, no Zimbabwe, e a introdução do peixe tilapia do Nilo nas águas do Zambeze Intermédio, e da erva de Kariba no sistema do Chobe e no Lago Kariba. A introdução da sardinha do Lago Tanganhica no Lago Kariba no final da década de 60 não resultou em perda de biodiversidade porque foi criado um novo habitat para o qual não existiam espécies nativas que o ocupassem. No entanto, foi manifestado receio em relação à possível introdução da kapenta no Lago Malawi/Niassa, onde se alimentaria de moscas lacustres, que constituem o alimento principal para algumas das espécies endémicas de ciclídeos, colocando estas em perigo.

O fogo tem modificado a estrutura da vegetação e a composição em espécies nas matas mais húmidas com uma cobertura de gramíneas abundante, particularmente nas vastas pradarias associadas a planícies alagáveis. Em Barotseland são regularmente queimadas grandes áreas, tal como nas pradarias do Delta do Zambeze. A erosão dos solos aumentou, e as espécies de plantas e animais que não podem evitar os incêndios, voando, enterrando-se ou regenerando-se rapidamente, reduzem a sua abundância e distribuição.

O aumento da utilização de fertilizantes e a descarga de enormes volumes de efluentes por parte de grandes populações urbanas, originaram graves problemas de poluição aquática, como no Lago Chivero, perto de Harare. A utilização de DDT contra a mosca tsé-tsé no Vale do Zambeze no Zimbabwe afectou ne- gativamente as aves.

Como resultado do desbravamento de terras e de outros factores, algumas espécies foram extintas, como o gnu azul no Malawi, o tsessebe em Moçambique e o kob na Tanzânia, enquanto outras defrontam-se com um elevado risco de extinção no futuro. Entre as espécies em vias de extinção contam-se, por exemplo, aves como o grou coroado, e mamíferos como o cão selvagem africano ou mabeco, o lechwe de Kafue e o rinoceronte negro.

Gestão da biodiversidade

Embora alguns países africanos tenham assinado instrumentos de política ambiental ou acordos ambientais multilaterais (AAM), a sua imposição continua a ser um problema, devido a dificuldades como:

  • Enquadramento político inadequado à sua implementação;
  • Limitações dos recursos financeiros;
  • Falta de pessoal qualificado nas diferentes áreas dos AAM ao nível nacional;
  • Fraca participação das partes interessadas nacionais e do público em geral nas negociaçõesdos AAM;
  • Fracasso dos AAM em reflectirem as prioridades ambientais nacionais;
  • Ausência geral de uma compreensão aprofundada dos conteúdos dos AAM.

A gestão da fauna bravia tem historicamente estado às avessas com o estado detentor desta fauna em áreas protegidas ou que impõe legislação através de agências governamentais. Todavia, têm sido introduzidas algumas respostas inovadoras à debilidade da gestão da fauna bravia. Entre estas contam-se as reservas privadas, que permitem que a propriedade sobre a fauna bravia seje transferida do Estado para os privados.

Outra resposta inovadora à diminuição da fauna bravia foi a introdução, durante os anos 80, de programas de gestão comunitária dos recursos naturais (GCRN). Os programas GCRN procuram melhorar a conservação da biodiversidade fora das áreas protegidas e das terras privadas, ao mesmo tempo que proporcionam benefícios económicos às populações rurais a partir dos recursos de fauna bravia nas suas áreas.

Outra das principais limitações ao desenvolvimento da silvicultura é o facto de faltar, na maior parte dos estados da bacia, informação relativa aos sistemas de gestão florestal adequados aos diversos tipos de floresta indígena. Esta situação é em parte devida às anteriores políticas florestais nacionais, que atribuíam maior prioridade ao estabelecimento, gestão e protecção do plantio de florestas de madeiras exóticas, do que às florestas indígenas.

Desafios futuros

Embora os estudos de classificação de organismos vivos (taxonomia) tenham dado nome e classificado muitos dos organismos encontrados na bacia, este conhecimento não está uniformemente distribuído pelos vários grupos biológicos. Por exemplo, foi provavelmente dado nome a mais de 95% das espécies de plantas com flôr, mas só a menos de 50% dos coleópteros. Em consequência, podem ser feitas afirmações razoáveis sobre a biodiversidade de grupos como as plantas com flôr, os mamíferos, as aves e os peixes, mas é pouco clara a diversidade total e os padrões de grupos como as bactérias, os coleópteros e outros invertebrados.

A biodiversidade na bacia no seu todo ainda não foi exaustivamente documentada. Os estudos realizados têm incidido principalmente sobre grupos individuais ou em países individuais, em vez de considerarem a bacia como um todo.

Existe, por isso, uma necessidade de compromisso dos governos da região na implementação e manutenção de políticas de utilização da terra viáveis, integradas e múltiplas, de modo a que as populações rurais possam perceber todos os benefícios dos recursos de fauna e flora.

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