Home   |    Contate-nos   |    Arquivo   |    Sócios   |    Econômico   |    SARDC
SADC HOJE Vol 8 No. 5, Dezembro 2005
Procure os artigos da SADC TODAY    
Segurança alimentar fortalecida Pela cooperação trans-fronteiriça

por por Clever Mafuta

A SEGURANÇA alimentar é um dos desafios mais marcantes da região e a activa colaboração regional está a oferecer a solução certa.

O comércio intra-regional, planificação antecipada, métodos inovadores de cultivo, ajuda alimentar e um deslocamento da tradicional dieta do milho susceptível à secas, ajudaram a África Austral a contornar a fome perante secas persistentes.

As quatro estações chuvosas desde 2001 têm de tudo excepto terem sido anos de seca.

Somente a estação de 2003/04 teve suficientes e bem distribuidas chuvas para assegurar uma boa época de cultivo na maior parte da região.

Muito do déficit de milho da região será suprido pelo comércio intra-regional, com a África do Sul a fornecer o maior volume de grão.

De acordo com o balanço geral de Cereais de Agosto do Departamento sul africano da Agricultura, as exportações de milho planificadas do país para o ano comercial de 2005/06 estão estimadas em 1,58 milhões de toneladas. Estas exportações estão destinadas principalmente para o Zimbabwe e para os países da União Aduaneira da África Austral (Botswana, Lesotho, Namíbia e Swazilândia).

Cerca de 10 milhões de pessoas na África Austral estão em insegurança alimentar e a necessitar de assitência alimentar até à próxima colheita em Abril de 2006, depois da estação chuvosa abaixo do normal de 2004/05.

Os países mais afectados são o Lesotho, Malawi, Moçambique, Swazilândia, Zâmbia e Zimbabwe. Mesmo o Botswana, que não vinha sendo afectado por carências alimentares nos tempos mais re centes, declarou o estado de desastre em Julho de 2005.

Ainda que as estimativas regionais de disponibilidade do cereal na região da SADC sugiram um melhoramento comparado às épocas anteriore s , os totais de cereal nacional estão muito abaixo dos níveis dos últimos anos. O alto total regional é um expressivo resultado da colheita de milho abarrotada da África do Sul.

A disponibilidade regional de cereal, no ano passado, era de 30,22 milhões de toneladas e, este ano, estimativas colocam-na em cerca de 30,94 milhões de toneladas.

Comércio informal trans-fronteiriço de milho durante a época 2004/05
FonteDestino Quantidades (TM)
Tanzania Zâmbia 3 698
Tanzania Malawi 2 655
Zâmbia Zimbabwe 13 106
Zâmbia Malawi 2 156
Zâmbia Tanzania 93
Zâmbia DRC 8 318
Moçambique Zimbabwe 2
Moçambique Malawi 71 229
Malawi Tanzania 637
Malawi Zâmbia 33
Total 101 928
Fonte FEWSNET 2005

Em todos os estados membro, com excepção da Angola, África do Sul, Lesotho e República Unida da Tanzania, onde a produção cresceu desde a colheita do último ano, a disponibilidade de cereal está abaixo dos totais do último ano, e a lacuna de cereal nos países afectados é significativamente maior.

A região de SADC tem um déficit total de cereal de 1.07milhões de toneladas, devido aos elevados excedentes do cereal, atingindo 4,18 milhões de toneladas, avaliadas na África do sul. A escassêz crítica do cereal é avaliada em Angola (624.000 de toneladas), em Malawi (838.000 de toneladas), em Moçambique (532.000 de toneladas) e em Zimbabwe (1,62 milhão de toneladas).

Com uma população de 12 milhões de pessoas, o Malawi está face à sua pior colheita de milho desde 1992, produzindo somente 1,23 milhões de toneladas, cerc a de 58 por cento das necessidades anuais do país. De acordo com o UNICEF, a taxa de malnutrição severa entre as crianças malawianas está a crescer “alarmantemente”. O país necessita de US$88 milhões em ajuda alimentar, dos quais US$9 milhões para apoiarem pro g r a m a s nutricionais para a criança.

Em Moçambique, “... água, mais que comida, foi identificada como a necessidade mais urgente. As pessoas têm de perc o r re r grandes distâncias – às vezes 20 km até à fonte mais próxima – para acederem à água,” disse Francisca Cabral do Secretariado Técnico para Segurança Alimentar e Nutrição.

Afora a África do Sul e a Tanzania, todos os estados membro da SADC, necessitarão importar milho. Contudo, alguma da carência em cereais será coberta pela ajuda alimentar e substituida por culturas não c e realíferas como a mandioca, batata doce e vegatais.

O nível de vulnerabilidade dos recursos familiares aponta para a estação chuvosa pobre como a principal causa da carência alimentar durante o período de consumo de 2005/06, com o HIV e SIDA, pobreza e falta de insumos agrícolas como factores agravadores. Mogae agradece FAO

O PRESIDENTE da SADC e do Botswana, Festus Mogae, agradeceu a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) pelo seu apoio técnico no desenvolvimento de um Sistema de Gestão de Informação Agrícola para a região e outras actividades conjuntas como Gestão de Recursos Hídricos Agrícolas para Programa de Segurança Alimentar.

Mogae disse que a região da SADC continua a experimentar problemas de insegurança alimentar, insuficiente investimento na agricultura, grande dependência da agricultura de sequeiro e acesso pobre aos insumos e mercados agrícolas. A vulnerabilidade dos recursos reflecte-se na escassez de alimentos devido à seca no Lesotho, Malawi, Moçambique, Swazilandia, Zâmbia e Zimbabwe. Alguma da escassêz será enfrentada por outros países da região.

Mogae apelou também à assistência no relacionado combate ao HIV e S I DA, que descreveu como um dos mais debilitadores desafios que a região enfrenta e que é mais grave por causa da pobreza e mánutrição, devidas à escassêz de alimentos.

Entendendo que a segurança alimentar continua a ser o desafio mais marcante da região, os chefes de estado e de governo da SADC adoptaram a Declaração sobre Agricultura e Segurança Alimentar de Dar es Salaam, em Maio de 2004, como um compromisso para lidarem com os p roblemas da produção agrícola e da provisão de alimentos.

Os líderes acordaram em tomar medidas activas para melhorar a segurança alimentar, observando que a agricultura “é a espinha dorsal da economia da região da SADC”.

Cerca de 80 por cento da população da região depende da agricultura para alimentos, rendimento e emprego, afirmaram os líderes na Declaração. O desempenho da Agricultura “tem uma forte influência na segurança alimentar, estabilidade e crescimento económicos”:

Eles reconheceramtambémque são vários os desafios com que se confronta a região na agricultura e na segurança alimentar e que estes têm as suas bases em factore s sociais, económicos e ambientais. A declaração, assinada numa cimeira presidida pelo cessante presidente tanzaniano, Benjamin Mkapa, visa a redução da pobreza, o aumento da produção alimentar e garantir a segurança alimentar pelo estabelecimento de uma reserva regional de alimentos, entre outros.

Na cimeira , for am estabelecidos planos e alvos de desenvolvimento e acord a d o analisar o pro g resso dentro de dois anos. A análise está prevista para Maio de 2006.

A África Austral está testemunhando também um boom na mandioca e batata doce porque muitos agricultores estão se virando para estes tuberc u l o s resistentes à seca. Ainda que menos nutritivas que o milho, a cultura da mandioca e da batata doce requer menos trabalho intensivo.

Face às frequentes secas, a região está a investir fortemente na irrigação. Isto permitiu ver cre s c e r a área sob irrigação dos 1,63 milhões de hectares, em 1985, para os actuais 1,96milhões de hectare s . Para além disso, uma grande quantidade de investimentos está sendo feita na pesquisa e pro dução de variedades de sementes tolerantes à seca. 

Este artigo pode ser reproduzido com crédito ao autor e ao publisher.

SADC TODAY, SARDC, P.O Box 5690, Harare, Zimbabwe.  
E-mail: sadctoday@sardc.net

 
SADC Today
Alguns comentários ou perguntas sobre o índice desta página, contato sadctoday@sardc.net
Comentários e perguntas a respeito da página próprios, contate Web Applications Developer.