A SEGURANÇA alimentar é um dos desafios mais
marcantes da região e a activa colaboração regional
está a oferecer a solução certa.
O comércio intra-regional, planificação antecipada,
métodos inovadores de cultivo, ajuda alimentar e um
deslocamento da tradicional dieta do milho
susceptível à secas, ajudaram a África Austral a
contornar a fome perante secas persistentes.
As quatro estações chuvosas desde 2001 têm de
tudo excepto terem sido anos de seca.
Somente a estação de 2003/04 teve suficientes e
bem distribuidas chuvas para assegurar uma boa
época de cultivo na maior parte da região.
Muito do déficit de milho da região será suprido
pelo comércio intra-regional, com a África do Sul a
fornecer o maior volume de grão.
De acordo com o balanço geral de Cereais de
Agosto do Departamento sul africano da
Agricultura, as exportações de milho planificadas
do país para o ano comercial de 2005/06 estão
estimadas em 1,58 milhões de toneladas. Estas
exportações estão destinadas principalmente para o
Zimbabwe e para os países da União Aduaneira da
África Austral (Botswana, Lesotho, Namíbia e
Swazilândia).
Cerca de 10 milhões de pessoas na África Austral
estão em insegurança alimentar e a necessitar de
assitência alimentar até à próxima colheita em Abril
de 2006, depois da estação chuvosa abaixo do
normal de 2004/05.
Os países mais afectados são o Lesotho, Malawi,
Moçambique, Swazilândia, Zâmbia e Zimbabwe.
Mesmo o Botswana, que não vinha sendo afectado
por carências alimentares nos tempos mais re centes,
declarou o estado de desastre em Julho de 2005.
Ainda que as estimativas regionais de
disponibilidade do cereal na região da SADC sugiram
um melhoramento comparado às épocas anteriore s ,
os totais de cereal nacional estão muito abaixo dos
níveis dos últimos anos. O alto total regional é um
expressivo resultado da colheita de milho abarrotada
da África do Sul.
A disponibilidade regional de cereal, no ano
passado, era de 30,22 milhões de toneladas e, este
ano, estimativas colocam-na em cerca de 30,94
milhões de toneladas.
| Comércio informal trans-fronteiriço de milho
durante a época 2004/05 |
| Fonte | Destino | Quantidades (TM) |
| Tanzania | Zâmbia | 3 698 |
| Tanzania | Malawi | 2 655 |
| Zâmbia | Zimbabwe | 13 106 |
| Zâmbia | Malawi | 2 156 |
| Zâmbia | Tanzania | 93 |
| Zâmbia | DRC | 8 318 |
| Moçambique | Zimbabwe | 2 |
| Moçambique | Malawi | 71 229 |
| Malawi | Tanzania | 637 |
| Malawi | Zâmbia | 33 |
| Total | 101 | 928 |
| Fonte FEWSNET 2005 |
Em todos os estados membro,
com excepção da Angola, África
do Sul, Lesotho e República
Unida da Tanzania, onde a
produção cresceu desde a colheita
do último ano, a disponibilidade
de cereal está abaixo dos totais
do último ano, e a lacuna de
cereal nos países afectados é
significativamente maior.
A região de SADC tem um
déficit total de cereal de
1.07milhões de toneladas, devido
aos elevados excedentes do
cereal, atingindo 4,18 milhões de
toneladas, avaliadas na África do
sul. A escassêz crítica do cereal é
avaliada em Angola (624.000 de
toneladas), em Malawi (838.000
de toneladas), em Moçambique
(532.000 de toneladas) e em
Zimbabwe (1,62 milhão de
toneladas).
Com uma população de 12
milhões de pessoas, o Malawi está
face à sua pior colheita de milho
desde 1992, produzindo somente
1,23 milhões de toneladas, cerc a
de 58 por cento das
necessidades anuais do
país. De acordo com o
UNICEF, a taxa de
malnutrição severa
entre as crianças
malawianas está a
crescer “alarmantemente”. O país
necessita de US$88 milhões em
ajuda alimentar, dos quais US$9
milhões para apoiarem pro g r a m a s
nutricionais para a criança.
Em Moçambique, “... água,
mais que comida, foi identificada
como a necessidade mais urgente.
As pessoas têm de perc o r re r
grandes distâncias – às vezes 20
km até à fonte mais próxima –
para acederem à água,” disse
Francisca Cabral do Secretariado
Técnico para Segurança
Alimentar e Nutrição.
Afora a África do Sul e a
Tanzania, todos os estados
membro da SADC, necessitarão
importar milho. Contudo, alguma
da carência em cereais será
coberta pela ajuda alimentar e
substituida por culturas não
c e realíferas como a mandioca,
batata doce e vegatais.
O nível de vulnerabilidade dos
recursos familiares aponta para a
estação chuvosa pobre como a
principal causa da carência
alimentar durante o período de
consumo de 2005/06, com o HIV
e SIDA, pobreza e falta de
insumos agrícolas como factores
agravadores.
Mogae agradece FAO
O PRESIDENTE da SADC e do Botswana, Festus Mogae, agradeceu a
Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO)
pelo seu apoio técnico no desenvolvimento de um Sistema de Gestão
de Informação Agrícola para a região e outras actividades conjuntas
como Gestão de Recursos Hídricos Agrícolas para Programa de
Segurança Alimentar.
Mogae disse que a região da SADC continua a experimentar
problemas de insegurança alimentar, insuficiente investimento na
agricultura, grande dependência da agricultura de sequeiro e acesso
pobre aos insumos e mercados agrícolas.
A vulnerabilidade dos recursos reflecte-se na escassez de alimentos
devido à seca no Lesotho, Malawi, Moçambique, Swazilandia, Zâmbia
e Zimbabwe. Alguma da escassêz será enfrentada por outros países da
região.
Mogae apelou também à assistência no relacionado combate ao
HIV e S I DA, que descreveu como um dos mais debilitadores desafios
que a região enfrenta e que é mais grave por causa da pobreza e mánutrição,
devidas à escassêz de alimentos.
Entendendo que a segurança
alimentar continua a ser o desafio
mais marcante da região, os
chefes de estado e de governo da
SADC adoptaram a Declaração
sobre Agricultura e Segurança
Alimentar de Dar es Salaam,
em Maio de 2004, como um
compromisso para lidarem com os
p roblemas da produção agrícola e
da provisão de alimentos.
Os líderes acordaram em
tomar medidas activas para
melhorar a segurança alimentar,
observando que a agricultura “é a
espinha dorsal da economia da
região da SADC”.
Cerca de 80 por cento da
população da região depende
da agricultura para alimentos,
rendimento e emprego, afirmaram
os líderes na Declaração. O
desempenho da Agricultura “tem
uma forte influência na segurança
alimentar, estabilidade e
crescimento económicos”:
Eles reconheceramtambémque
são vários os desafios com que se
confronta a região na agricultura e
na segurança alimentar e que estes
têm as suas bases em factore s
sociais, económicos e ambientais.
A declaração, assinada numa
cimeira presidida pelo cessante
presidente tanzaniano, Benjamin
Mkapa, visa a redução da
pobreza, o aumento da produção
alimentar e garantir a segurança
alimentar pelo estabelecimento
de uma reserva regional de
alimentos, entre outros.
Na cimeira , for am
estabelecidos planos e alvos de
desenvolvimento e acord a d o
analisar o pro g resso dentro de
dois anos. A análise está prevista
para Maio de 2006.
A África Austral está
testemunhando também um boom
na mandioca e batata doce porque
muitos agricultores estão se
virando para estes tuberc u l o s
resistentes à seca. Ainda que
menos nutritivas que o milho, a
cultura da mandioca e da batata
doce requer menos trabalho
intensivo.
Face às frequentes secas, a
região está a investir fortemente na
irrigação. Isto permitiu ver cre s c e r
a área sob irrigação dos 1,63
milhões de hectares, em 1985, para
os actuais 1,96milhões de hectare s .
Para além disso, uma grande
quantidade de investimentos está
sendo feita na pesquisa e pro dução
de variedades de sementes
tolerantes à seca.