Mozambique
Ao andar se faz o caminho Capítulo 5 Casa

O objectivo principal deste Relatório foi fazer uma reflexão sobre o lugar da educação no alargamento das escolhas dos moçambicanos. A escolha da educação como tema teve duas motivação principais: em primeiro lugar, a educação é dos pilares do conceito de desenvolvimento humano e entra como variável no cálculo de vários dos seus indicadores compostos desenvolvidos para o efeito.

Em segundo lugar, a educação foi sempre um aspecto sensível e central no processo de desenvolvimento de Moçambique após a independência. O Relatório teve como objectivo angular não só fazer uma descrição analítica dos diferentes estágios do desenvolvimento da educação nos últimos 25 anos, mas também levantar problemas, questionar rumos e sucessos, identificar obstáculos, problematizar as opções e discutir a sua relevância para a sociedade.

O Relatório apresenta leituras e percepções sobre a relevância do actual sistema de educação, na perspectiva de avaliar em que medida ela tem contribuído de forma crescente para o alargamento das escolhas das moçambicanas e moçambicanos. As análises foram feitas sempre na perspectiva de ajuizar até que ponto a educação está a dotar os moçambicanos do instrumental necessário que lhes permita eliminarem as carências e privações, dotá-los do conhecimento necessário para lutarem contra a exclusão e melhorarem a sua condição social como membros de uma comunidade ou comunidades. As análises tentaram seguir com rigor o princípio de despir os argumentos de qualquer pretensão de apresentar soluções acabadas.

Mais do que análises complexas e apresentação de fórmulas, os autores procuraram simultaneamente reflectir e partilhar informação com os utentes do Relatório sobre a educação, com o intuito de despoletar maior interesse e encorajar uma reflexão abrangente por parte dos diferentes grupos directa ou indirectamente envolvidos no processo educativo, numa perspectiva de direitos humanos.

O leitor mais exigente, que esperava encontrar as grandes soluções para os gigantescos problemas da educação em Moçambique, poderá ficar, talvez, com um sentimento de certa frustração ao chegar ao fim do Relatório. Poderá ter uma dose de razão para isso. Porém, os autores tiveram sempre o cuidado de alertar que não existem fórmulas mágicas para os problemas da educação, nem em Moçambique, nem em qualquer outro país do mundo. Cada país encontra, à sua maneira, a melhor fórmula de prover a educação escolar adequada às suas condições e prioridades.

Neste Relatório, procurou-se, entre muitos aspectos, evidenciar tanto o percurso, como o caminho por percorrer, as lições assim como os imponentes desafios por enfrentar. A educação tem a pesada responsabilidade de garantir a formação do Casam moçambicano capaz de se libertar a si mesmo, transformar e influenciar o espaço imediato que o rodeia e desenvolver de forma sustentável os recursos materiais disponíveis assim como, porquê não, influenciar na medida do possível os destinos do mundo nos fóruns de concertação das nações de que Moçambique é membro.

Uma das lições aprendidas no processo de análise dos dados contidos neste Relatório é que Moçambique ainda tem um longo caminho a percorrer. A procura de soluções para os problemas da educação, como qualquer outro processo de desenvolvimento, não é um processo linear. O percurso da educação em Moçambique prova, precisamente, o que o poeta que escreveu há tempos: caminhante não há caminho, ao andar se faz o caminho. A meta de prover educação para todos os moçambicanos e os méritos do esforço continuam válidos e claros. Mas os caminhos para se chegar à meta continuam elusivos, sinuosos e acidentados.


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