Mozambique
Proteger a 'janela de esperança', mas não só… Capítulo 5 Casa

A estratégia de combate à epidemia deve assentar, fundamentalmente, na protecção da chamada 'janela' de esperança, ou seja as crianças ainda não sexualmente activas que podem apreender melhor e cedo as lições de abstinência, protecção e prevenção. Isto implica que se considere a possibilidade de baixar a fasquia etária sobre a qual incidem as actuais campanhas de prevenção contra o HIV/SIDA e se faça o devido ajustamento nas mensagens difundidas. Em vez de enfatizar somente o uso do preservativo ou sexo seguro, por exemplo, as mensagens poderiam contemplar aspectos que induzam à mudança de comportamento sexual e atitudes.

As campanhas deverão, para além das crianças em idade considerada sexualmente activa, passar a englobar, sub-grupos na faixa entre os seis 6 e os 15 anos. A recomendação ganha maior revelância se tivermos em conta que apenas cerca de 4% da população estudantil é que está no nível secundário, técnico-professional e superior. A vasta maioria está no EP1 e EP2.

A estratégia de combate ao alastramento da epidemia deve também ter em conta que a maioria dos quadros da educação não estão infectados e, consequentemente, intervenções atempadas para proteger estes profissionais através do aprofundamento do conhecimento e compreensão podem ajudar a proteger o sector das devastações do HIV/SIDA.

Além disso, é preciso criar a consciência no seio dos profissionais da educação de que ser seropositivo não é necessariamente uma sentença de morte. Os seropositivos podem viver uma vida longa e plena, o que é válido também para o pessoal da educação infectado com o HIV. Há práticas testadas e desenvolvidas que contribuem para o prolongamento da vida dos seropositivos que vivem ´positivamente´. Quando os educadores e gestores da educação compreenderem profundamente esta realidade estarão melhor habilitados para ajudarem a transformar a percepção dos seus alunos e da sociedade em geral, relativamente à epidemia.

Outro aspecto importante é a adequação dos calendários escolares às exigências familiares de trabalho nas zonas rurais. O recrudescimento da epidemia pode levar à elevação dos índices de baixo aproveitamento e desistência das raparigas, à medida que estas são chamadas a cuidar dos familiares enfermos ou a assumirem responsabilidades adicionais após o falecimento dos progenitores ou dos adultos na família. Este ajustamento, pode ajudar a manter as crianças, principalmente as raparigas, nas escolas mesmo com o alastramento da epidemia.

A educação tanto pode jogar um papel preponderante na protecção das gerações mais jovens, como pode, e deve, constituir-se em portão de esperança para a protecção dos seus quadros bem como para a sobrevivência da sociedade em geral, agindo como centro de gravidade das actividades de prevenção. A educação contribuiria, através da disseminação da informação sobre o HIV/SIDA, não só para travar o alastramento da epidemia, mas também para a criação duma nova mentalidade social sobre a epidemia, permitido às pessoas fazerem escolhasin informadas.


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