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A estratégia de combate à epidemia deve assentar,
fundamentalmente, na protecção da chamada 'janela'
de esperança, ou seja as crianças ainda não
sexualmente activas que podem apreender melhor e cedo as lições
de abstinência, protecção e prevenção.
Isto implica que se considere a possibilidade de baixar a fasquia
etária sobre a qual incidem as actuais campanhas de prevenção
contra o HIV/SIDA e se faça o devido ajustamento nas mensagens
difundidas. Em vez de enfatizar somente o uso do preservativo ou
sexo seguro, por exemplo, as mensagens poderiam contemplar aspectos
que induzam à mudança de comportamento sexual e atitudes. As campanhas deverão, para além das crianças
em idade considerada sexualmente activa, passar a englobar, sub-grupos
na faixa entre os seis 6 e os 15 anos. A recomendação
ganha maior revelância se tivermos em conta que apenas cerca
de 4% da população estudantil é que está
no nível secundário, técnico-professional e
superior. A vasta maioria está no EP1 e EP2. A estratégia de combate ao alastramento da epidemia deve
também ter em conta que a maioria dos quadros da educação
não estão infectados e, consequentemente, intervenções
atempadas para proteger estes profissionais através do aprofundamento
do conhecimento e compreensão podem ajudar a proteger o sector
das devastações do HIV/SIDA. Além disso, é preciso criar a consciência no
seio dos profissionais da educação de que ser seropositivo
não é necessariamente uma sentença de morte.
Os seropositivos podem viver uma vida longa e plena, o que é
válido também para o pessoal da educação
infectado com o HIV. Há práticas testadas e desenvolvidas
que contribuem para o prolongamento da vida dos seropositivos que
vivem ´positivamente´. Quando os educadores e gestores
da educação compreenderem profundamente esta realidade
estarão melhor habilitados para ajudarem a transformar a
percepção dos seus alunos e da sociedade em geral,
relativamente à epidemia. Outro aspecto importante é a adequação dos
calendários escolares às exigências familiares
de trabalho nas zonas rurais. O recrudescimento da epidemia pode
levar à elevação dos índices de baixo
aproveitamento e desistência das raparigas, à medida
que estas são chamadas a cuidar dos familiares enfermos ou
a assumirem responsabilidades adicionais após o falecimento
dos progenitores ou dos adultos na família. Este ajustamento,
pode ajudar a manter as crianças, principalmente as raparigas,
nas escolas mesmo com o alastramento da epidemia. A educação tanto pode jogar um papel preponderante na protecção das gerações mais jovens, como pode, e deve, constituir-se em portão de esperança para a protecção dos seus quadros bem como para a sobrevivência da sociedade em geral, agindo como centro de gravidade das actividades de prevenção. A educação contribuiria, através da disseminação da informação sobre o HIV/SIDA, não só para travar o alastramento da epidemia, mas também para a criação duma nova mentalidade social sobre a epidemia, permitido às pessoas fazerem escolhasin informadas. |
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