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O quadro conceptual traçado no Capítulo 1 descreve
a interligação entre a abordagem de direitos humanos
e do desenvolvimento humano na análise e medição
do progresso, no qual a educação figura de forma proeminente.
Como foi referido, a Declaração Universal dos Direitos
Humanos consagra a educação como um direito }perspectiva
de desenvolvimento humano, operacionalizada nos RsGDH desde 1990,
considera, por seu turno, o acesso ao ensino formal para desenvolver
aptidões como a leitura e escrita e cálculo elementar,
como uma dimensão incontornável nas escolhas das pessoas. A educação permite aos indivíduos desenvolverem,
além das aptidões básicas, capacidades necessárias
para viverem e trabalharem condignamente, participarem no desenvolvimento
económico e social, tomarem decisões informadas sobre
as suas vidas e comunidades e continuarem a aprender ao longo da
vida. As duas abordagens convergem no sentido de encorajar os países
a agirem para garantirem que um número cada vez maior dos
seus cidadãos tenha acesso à educação
escolar, tendo como fim responder eficazmente aos desafios de desenvolvimento
e, no processo, prosseguir os princípios consagradas em convénios
internacionais de que Moçambique é digno signatário. O objectivo central deste Relatório foi analisar os progressos
e desafios que o país enfrentou e enfrenta na prossecução
deste nobre objectivo. Moçambique registou avanços
substanciais no alargamento do acesso à educação
dos seus cidadãos, quando comparado com a herança
colonial de há 25 anos. Os dados que dão a substância a este Relatório
confirmam que, independentemente dos percalços derivados
de questões conjunturais, e uma vez ultrapassados os constrangimentos
da guerra, a educação voltou a transformar-se numa
das componentes mais dinâmicas no IDH do país, a par
do rendimento traduzido pelo PIB real per capita, nos últimos
anos. A evolução positiva do IDH global do país,
descrita e analisada no Capítulo 2, ilustra precisamente
os resultados directos deste esforço. Porém, é suficientemente claro que o país
ainda tem um longo caminho a percorrer para satisfazer o imperativo
da universalização da educação básica
e provimento de quadros necessários para levar o país
a outros patamares de desenvolvimento. Além do esforço
de alargamento do acesso, resta ainda o desafio de fazer da escola
uma instituição que providencie saberes científicos
e, simultaneamente, forme indivíduos com alto grau de auto-confiança,
dotados de atitudes e valores morais e éticos socialmente
aceites e enraizados na cultura nacional. O país está indubitavelmente no caminho certo, mas
a meta ainda está distante. Apesar da redução
substancial da incidência, Moçambique continua a ter
a taxa de analfabetismo mais elevada no seio dos 14 países
membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral
(SADC), o que limita as escolhas dos moçambicanos e se reflecte
nos índices elevados de privação nas outras
dimensões de desenvolvimento. Os desafios que se colocam ao sector da educação
em Moçambique são multifacetados. Por um lado, os
moçambicanos têm de envidar esforços para mobilizarem
recursos humanos e materiais necessários à expansão
do acesso de modo que a longo prazo se possa, por exemplo, assegurar
a universalização dos sete anos de escolarização
básica e caminhar progressivamente para a introdução
da escolarização obrigatória. Em termos globais,
estima-se que apenas 37% das crianças moçambicanas
em idade escolar é que se encontram no sistema de educação
formal. Mais grave ainda, é que no contexto do desenvolvimento assimétrico
entre as diferentes regiões do país, o acesso à
educação é o aspecto que reflecte, de forma
explícita e gritante, a distância que separa o Sul
do país do Centro, e a região Norte do Centro e do
Sul do país, a diferença entre as zonas urbanas e
o campo, e entre Casans e mulheres. Apesar de, em termos agregados, 39,5% da população
ser alfabetizada, a privação da leitura e da escrita
não se distribui de maneira uniforme nas diversas regiões
do país. Somente a Cidade e Província de Maputo, por
exemplo, têm 50% ou mais da sua população alfabetizada. A incidência do analfabetismo continua a ser particularmente
acentuada na população do sexo feminino com uma taxa
de analfabetismo de 74,1%, principalmente das mulheres camponesas,
no seio das quais apenas uma em cada 10 é que sabe ler e
escrever, ou seja uma taxa de analfabetismo da ordem dos 89%. O baixo índice de escolarização reflecte-se
obviamente nos reduzidos IDHs e IDS das províncias do Centro
e Norte do país. O processo de planificação
da expansão da rede escolar não pode fugir à
realidade de oferta diferenciada da educação entre
as diversas regiões do país e às diferenças
entre os sexos masculino e feminino no acesso. O sector da educação acumulou, nos últimos anos, um conhecimento relativamente aprofundado sobre o seu desempenho, problemas, desafios e constrangimentos. Desde 1996 que a educação vem realizando um exercício de planificação estratégica que preconiza a expansão da oferta de oportunidades educativas, assim como um conjunto de acções direccionadas para reformulação dos conteúdos de forma a melhorar a qualidade da oferta e reforçar as capacidades de administração e gestão do sistema educativo. |
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