Mozambique
Quem quer ser professor universitário? - Caixa 4.2 Capítulo 4 Casa

O Estado finge que nos paga e nós fingimos que trabalhamos' é uma das expressões mais comuns no seio dos funcionários públicos moçambicanos. O professores das universidades públicas, que têm a nobre tarefa de formar os futuros quadros e dirigentes do País não constituem excepção a esta regra.

O grande problema está nos baixos salários auferidos pelos profissionais da educação no ensino superior, principalmente nas universidades públicas. Os salários nas duas instituições de ensino superior mais antigas, a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e a Universidade Pedagógica (UP), atingiram um pico de US$ 750 dólares em 1990 para os docentes assistentes em 1990. A partir daí decresceram gradualmente até atingir os US$ 220 em 1997.

Os docentes das universidades públicas fazem parte do funcionalismo público, sendo os seus salários definidos pelo Governo com base apenas nas qualificações académicas, em vez de desempenho e competências como professores ou investigadores.

Não existe nenhum sistema de incentivo nem de prémios com base no desempenho, facto que não promove a qualidade do trabalho. De modo a contornar esta situação foram introduzidos alguns benefícios extras para os professores universitários que incluem, entre outros, a habitação a baixo custo.

A situação é relativamente melhor nas instituições do ensino superior privado onde o salário mínimo está na ordem dos US$ 1000 dólares e, no topo da escala, na ordem dos US$ 3.000 dólares. Este valor é quase três vezes superior as salário mais elevado que se paga ao professor catedrático nas instituições do ensino superior públicas. Muitos professores se transformem numa espécie de vendedores ambulantes de conhecimentos no sistema. Outros leccionam apenas por 'amor à camisola'. Isto tem consequências nefastas sobre a qualidade da formação ministrada.

Adaptado do Plano Estratégico do Ensino Superior 2000-2010, MESCT, Julho 2000


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