Mozambique
As limitações do modelo possível - Caixa 4.1 Capítulo 4 Casa

Uma das limitações do Impacto Demográfico do HIV/SIDA em Moçambique prende-se com o facto de ter sido elaborado com base em dados de seroprevalência obtidos em apenas cinco locais urbanos no Centro e Sul do país em 1998. O estudo sobre impacto do HIV/SIDA no sector da educação teve também como base estas projecções.

Os dados aqui apresentados são baseados nos modelos de projecção Spectrum. Este modelo, desenvolvido conjuntamente pelo INE e MISAU para avaliar o impacto demográfico do HIV/SIDA em Moçambique, fez as projecções da população até o ano 2010 com base no programa de Projecção Rural e Urbana (RUP). O sistema Spectrum de modelos de política foi então aplicado para projectar o impacto do HIV/SIDA. Foram usados duas subrotinas dentro do Spectrum - DemProj e AIM (Modelo do Impacto do SIDA). DemProj é o modelo demográfico dentro do Spectrum e é utilizado para fazer projecções populacionais. AIM é o modelo usado para avaliar o impacto da epidemia do HIV/SIDA. O AIM utiliza vários pressupostos sobre população, fecundidade, mortalidade, etc...

Nunca é demais sublinhar que os modelos são, por definição, representações de aspectos da realidade e são tão sólidas quanto as teorias nas quais são baseadas e a fiabilidade dos dados usados. Consequentemente, as projecções resultantes destes modelos são limitadas pela qualidade dos dados disponíveis, algo que constitui um problema particular na situação de Moçambique.

v Em Moçambique, houve problemas de informação associados com os dados do Censo97 e de observação nos postos de vigilância. O modelo usou como ano base populacional uma recriação sintética da população de 1981, baseada nos resultados e suposições do Censo de 1997 sobre os níveis de fecundidade e mortalidade anteriores a 1997.

Os dados de observação (que são usados para estimar as taxas de prevalência nos adultos) somente estavam disponíveis para cinco centro urbanos. Os técnicos partiram do pressuposto de que a epidemia começou a alastrar-se mais cedo na região Centro do que na região Sul. Mais ainda, a suposição feita no modelo era de que no Centro a prevalência era o dobro da prevalência que no Sul, e que em 2005 seria 50% mais alta. Como não houve observação nastrês províncias nortenhas, foi necessário estabelecer uma base para estimar a prevalência do HIV entre a população adulta naquela região de Moçambique. O modelo assume que em 1998 a prevalência era 25% mais alta que no Sul, e que as taxas de prevalência nas regiões Sul e Norte de Moçambique serão iguais em 2005. A informação sobre a epidemia irá certamente beneficiar do alargamento do número de postos de vigilância de quatro para 22, distribuídos conforme ilustra o mapa 4.1.

 


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