Mozambique
O HIV/SIDA e o sector de educação Capítulo 4 Casa

A epidemia do HIV/SIDA apresenta desafios multifacetados para o sector da educação. Por um lado, a educação tem de se estruturar para gerir os efeitos da epidemia nas suas diversas formas, desde a enfermidade e perda de educadores e existência de crianças infectadas no universo de alunos, passando pela preparação do sistema e dos educadores para atenderem às necessidades especiais de uma população crescente de crianças órfãs entre os alunos. Por outro lado, o sector será, simultaneamente, chamado a desempenhar um papel de vanguarda no esforço de prevenção de novas infecções ao mesmo tempo que terá de desencantar recursos adicionais para se sustentar, manter e melhorar a qualidade do ensino e alargar o acesso. É uma tarefa gigantesca, uma missão quase impossível.

A educação pode desempenhar um papel preponderante no controle da epidemia é inquestionável. O sector lida com àqueles que, pela natureza da sua idade, são parte da chamada 'geração de esperança' - os jovens dos seis aos 15 anos de idade que ainda não são na sua maioria sexualmente activos, e que consequentemente poderão não ser ainda seropositivos, salvo nos casos em que o contacto sexual não seja o único vector de transmissão do vírus.

A educação, no seu sentido mais amplo, é crucial para responder eficazmente à epidemia. Isto não só constitui uma sobrecarrega para o sistema de educação como é uma responsabilidade acrescida. A situação é agravada pelo facto de que o sistema de educação terá de se desdobrar para desempenhar este papel multifacetado num contexto onde ele próprio estará a ser severamente afectado pela epidemia, por um lado, e a envidar esforços para alargar o acesso e melhorar a qualidade do ensino, por outro.

Para que o sistema de educação responda às necessidades das camadas mais jovens deve estar capacitado para fazer face aos desafios que a epidemia lhe apresenta.

Nos últimos anos, os profissionais do sector da educação e os que estão familiarizados com o HIV/SIDA têm estado empenhados na pesquisa sobre como fazer avaliações sectoriais eficazes. Embora o número destes estudos seja limitado (vide Kelly, Carr-Hill, Katabaro e Katahoire, 2000 e JTK Associates, 1999), existe uma crescente compreensão sobre a importância de contabilizar o impacto do HIV/SIDA no processo de planificação no sector de educação.


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