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Impacto sobre o rendimento O impacto da epidemia na economia ainda não foi devidamente
estudado e quantificado em Moçambique. Mas estimativas preliminares
indicam que o valor agregado do Produto Interno Bruto (PIB) poderá
ser 8-10% abaixo do nível em que se situaria se a epidemia
não tivesse tido lugar. A epidemia irá assim afectar
a outra componente importante do IDH, o rendimento, num país
que, não obstante as melhorias no desempenho nos últimos
anos, tem um dos PIB per capita mais baixos do mundo. A estimativa do impacto da epidemia sobre a economia é também
baseada nos exemplos de outros países que enfrentaram o HIV/SIDA
mais cedo. Por exemplo, estima-se que a epidemia custou à
Namíbia cerca de 8% por cento do PNB em 1996. O crescimento
do PIB na África do Sul poderá, em média, ser
0.3 a 0.4 pontos percentuais abaixo do que alcançaria num
cenário sem HIV/SIDA durante a próxima década
(Quattek, 2000). No Quénia estima-se que até 2005
o PNB seja 14,5 % abaixo do que seria sem o impacto do HIV/SIDA
(ONAP, 1999). Refira-se que o crescimento económico global reduziu drasticamente
não só em países com altos índices de
mão de obra intensiva nas indústrias de exportação
(por exemplo, Swazilândia, Tanzania, Quénia), mas também
em países com alta intensidade de capital nas indústrias
de exportações. O Botwsana é exemplo eloquente
deste fenómeno. O desvio de recursos para financiar a assistência médica,
aliado às despesas nos cuidados dispensados no combate às
infecções oportunistas em seropositivos, assim como
a redução das oportunidades de acesso à educação
e a outros serviços sociais significa que uma larga proporção
de famílias moçambicanas verá as suas oportunidades
de sobrevivência diminuídas, como resultado da epidemia.
Isso vai debilitar ainda mais o seu desenvolvimento. À medida que os efeitos a epidemia recrudesce, a capacidade
dos agregados familiares para enviarem os filhos para escola irá
diminuir, ao mesmo tempo que a capacidade do sector educacional
cumprir cabalmente com a sua função estará
a ser severamente comprometida. O acesso à educação, que é já
muito precário em Moçambique, será substancialmente
afectado. A disponibilidade de educadores especializados irá
diminuir drasticamente, num sistema onde os quadros disponíveis
não são suficientes para suprir as necessidades. Estima-se
que no país existam 43.156 professores, sendo 38.279 nos
dois níveis do ensino primário, 2.457 nos dois níveis
do ensino secundário, 998 no ensino elementar, básico
e médio e 1.422 no ensino superior, para uma população
escolar estimada em 2.360.798 nos vários níveis. (INE,
1999) Poucos países têm estudos sobre o impacto do HIV/SIDA
no sector da educação. Tanto quanto se sabe, Moçambique
é o terceiro país a nível da África
Austral a tomar a iniciativa acertada de fazer uma avaliação
pormenorizada do impacto do HIV/SIDA sobre o sistema de educação.
Os outros países são a Swazilândia e África
do Sul. O esforço de Moçambique transmite a seriedade
com que as autoridades encaram o impacto da epidemia no sector.
A secção que se segue pretende oferecer uma primeira
abordagem preliminar e não exaustiva do possível impacto
da epidemia sobre o sector da educação em Moçambique. |
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