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Um fardo insustentável Uma das particularidades da epidemia do HIV/SIDA é que não
só rouba o país de parte considerável dos indivíduos
mais produtivos, como deixa fardos pesados para a sociedade. Um
desses fardos pesados é o aumento brusco na população
de órfãos. Em Moçambique existiam no ano 2000
cerca de 500.000 crianças órfãs das quais 2/3
são de pais vitimados pelo SIDA. Isto quer dizer que, num
cenário sem SIDA, a população de órfãos
seria de apenas 162,000 crianças. As projecções do INE e MISAU (2000) sugerem que o
pior está para vir. Até 2010 haverá aproximadamente
1,4 milhões de órfãos, dos quais 80% serão
de pais vitimados pelo SIDA. Por outras palavras, de um número
normal estimado em 280.000 órfãos num cenário
sem SIDA, o País terá que arcar com as necessidades
especiais e adicionais de 1,1 milhão de órfãos
do SIDA, ou seja quatro vezes mais.
O país dificilmente poderá mobilizar internamente
os recursos necessário para fazer face a esta nova emergência,
particularmente se se tiver em conta que 69% da população,
ou seja cerca de 11,7 milhões de moçambicanos, sobrevive
com um consumo inferior a 5,473.00 Meticais (US$ 0.40 em 1997) por
dia, sendo por isso classificados como vivendo na pobreza absoluta. A gravidade da situação está a mobilizar as
forças sociais, notando-se já um movimento virado
para divulgação de mensagens educativas sobre os perigos
e forma de prevenção da epidemia, congregando desde
políticos ao mais alto nível e de todas as sensibilidades
até aos dirigentes espirituais e religiosos, numa autêntica
cruzada contra o que alguns sectores chamam já de batalha
pela vida. O presidente Joaquim Chissano descreveu nos seguintes
termos a situação da epidemia na sua informação
sobre o Estado da Nação do ano 2000: "A morte
trazida pelo HIV/SIDA caminha a largos passos…. A juventude, a seiva
da nação, está profundamente atingida. Da verificação
feita em alguns estabelecimentos escolares, sabemos que mais de
20% do nosso futuro está condenado." (Chissano, 2000:4) A grande incógnita reside em avaliar até que ponto as mensagens terão um impacto nos grupos alvos. É nelas que reside a esperança pois a experiência de outros países mostra que apesar do seu rápido alastramento na África Austral, o HIV não se propaga facilmente. A abstinência, o uso correcto e consistente de preservativos durante as relações sexuais com parceiros ocasionais e de 'alto risco', - principal conteúdo das mensagens de prevenção - aliado ao rápido tratamento de outras doenças de transmissão sexual (DTSs) e abstinência durante o tratamento delas podem conter a propagação do vírus. |
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