Mozambique
As razőes do alarme Capítulo 4 Casa

Embora a taxa de prevalência do vírus em Moçambique se situe, em termos relativos, a níveis ainda considerados moderados para a África Sub-Sahariana, as circunstâncias específicas do país fazem com que a epidemia do HIV/SIDA seja já vista como uma catástrofe, com consequência nefastas para o desenvolvimento humano.

Como foi mencionado anteriormente, a taxa de analfabetismo em Moçambique atinge 60.5% da população adulta. O país dispõe apenas de um universo de cerca de 13.156 indivíduos economicamente activos com cursos superiores, dos quais apenas 17% são mulheres. Estes dados espelham o nível de vulnerabilidade face aos efeitos devastadores da epidemia, num país que dispõe de recursos limitados6.

O duplo golpe da epidemia na frágil base de quadros constituído por um lado, pelo desaparecimento de indivíduos formados e dotados de alguma experiência, e, por outro, do desperdício dos recursos despendidos na sua formação, preocupa, e com razão, a sociedade ao nível mais alto. Entre as vítimas do SIDA contam-se já especialistas formados com muito sacrifício ao longo dos 25 anos da independência7.

Ao atacar com maior incidência o segmento dos 15 aos 49 anos, a epidemia compromete seriamente os esforços de desenvolvimento, pois concentra-se sobre uma camada significativa dos produtores do presente e do futuro, num país em que o segmento correspondente aos indivíduos economicamente activos é estimado em apenas 37% da população. Por outras palavras, um em cada seis moçambicanos considerados aptos para o trabalho está infectado pelo vírus HIV. A epidemia vai forçar os sãos a assumirem, directa ou indirectamente, maiores responsabilidades e encargos.

6 MESCT, Plano Estratégico do Ensino Superior 2000-2010
7 Chissano, J. Informação do Presidente da República sobre a Situação Geral da Nação. Assembleia da República. Dezembro 2000

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