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A fragilidade da informação disponível condiciona,
até certo ponto, o alcance de qualquer avaliação
do impacto da epidemia.
Em Moçambique existe a tendência de encarar a epidemia
HIV/SIDA como menos grave do que a que confronta os países
vizinhos. Infelizmente este não é o caso. Apesar da
fragilidade da informação decorrente dos métodos
e do número reduzido de postos de recolha de dados, as estimativas
disponíveis indicam que os níveis de infecção
em Moçambique se encontram, na melhor das hipóteses,
somente alguns anos atrás de países tidos como os
mais severamente afectados na região. Até finais do ano 2000, aproximadamente 40 milhões
de pessoas na África sub-Sahariana eram portadoras do vírus
HIV. Parte considerável desta população de
seropositivos vivia em países que se situam na mesma região
que Moçambique, como o Botswana, Swazilândia, Namíbia,
Zimbabwe, que têm índices de prevalência na população
adulta iguais ou superiores a 20%, os mais altos do mundo. Três destes países partilham fronteiras extensas com
Moçambique e seria equivocado pensar que o país pode
manter por muito tempo a sua condição de relativo
oásis do HIV/SIDA. Na pior das hipóteses, as estimativas
da seroprevalência em 2000 apontam para uma epidemia em fase
de maturação que se situa ao mesmo nível dos
países vizinhos. A tabela seguinte ilustra a comparação
da situação do HIV/SIDA entre Moçambique e
outros países na África Austral e Oriental. Como o quadro 4.1 indica, a taxa de prevalência entre os
adultos em Moçambique encontra-se um pouco abaixo da média
regional, mas muito acima da média para a África sub-Sahariana,
e cerca de 15 vezes acima da média mundial de seroprevalência. Durante os 14 anos decorridos desde do diagnóstico do primeiro
caso em 1986, os casos de HIV/SIDA em Moçambique subiram
de forma galopante. Estima-se em 1,5 milhões de pessoas o
número de seropositivos no país, com uma taxa de incidência
que ronda os 15,4% para a população adulta dos 15
aos 49 anos em 1999. Algumas estimativas difíceis de verificar
colocam as novas infecções em 700 casos diários.
O número de pessoas que já morreram de doenças
relacionadas com HIV/SIDA é estimado em mais de 100.000 pessoas,
e as projecções apontam que as mortes cumultaivas
cresçam rapidamente, cifrando-se em 1,6 milhões de
óbitos em 2010. O índice de prevalência nas mulheres é, em
média, 1,6% mais alta que a entre os Casans, o que significa
que as mulheres são 10,4% mais susceptíveis de serem
infectadas pelo vírus do HIV do que os Casans. A diferença
etária entre as mulheres é particularmente preocupante.
Por exemplo, no ano 2000 de todos os novos casos de HIV em indivíduos
do sexo feminino, 35,4% acontecerão em mulheres com menos
de 30 anos, comparado com uma incidência de 13,2% entre os
Casans. A inferência é óbvia: as mulheres estão
a ser infectadas numa idade relativamente nova e, consequentemente,
morrem ainda jovens. A prevalência da epidemia também apresenta grandes
oscilações regionais resultante da evolução
diferenciada entre elas, como mostra o Gráfico 4.1. Ela é
mais elevada nas províncias centrais de Zambézia,
Sofala, Manica e Tete, com uma estimada taxa de 20,7% no ano 2000,
comparada com 13% no Norte (Cabo Delgado, Niassa, Nampula) e 11%
no Sul (Maputo, Gaza, Inhambane). Isto sugere que, numa primeira
fase, a epidemia terá um impacto diferenciado nas diversas
regiões, mesmo depois de atingir o nível de estabilização.
Na região centro, prevê-se que a prevalência
se estabilize nos 21,4%, comparada com 14,3% no Sul e 14,4% no Norte
como mostra o quadro 4.2.
As razões da estabilização da epidemia assumida
para 2004 nos níveis estimados não estão devidamente
esclarecidas. Isto é particularmente relevante se tivermos
em conta as limitações dos dados e do modelo descritas
na Caixa 4.1. Por outro lado, a experiência dos países
vizinhos sugere que a suposição de que Moçambique
atingirá o nível de estabilização mais
cedo pode ser demasiado optimista. Ajustes no modelo utilizado nas
projecções e acesso a dados actualizados poderão
resultar na modificação destas tendências e
suposições como resultado da recolha de amostras mais
representativas, fruto em parte do aumento do número de postos
sentinela. |
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