Mozambique
As principais lições Capítulo 4 Casa

Uma grande lição aprendida dos países vizinhos de Moçambique é que são aquelas crianças não sexualmente activas que devem apreender melhor as lições de abstinência, protecção e prevenção.

Estas são constituídas pelo grupo etário entre os seis e os 15 anos conhecidas como a 'janela de esperança' no combate à epidemia (em Moçambique em média uma criança torna-se sexualmente activa aos 16 anos de idade, mas muitas começam mais cedo).

Actualmente, a contribuição da educação na estratégia do Governo para combater o HIV/SIDA incide sobre os estudantes do ensino secundário, embora se afirme que os que estão no nível primário serão "incluídos". A explicação lógica é que é neste nível que se encontram as crianças sexualmente activas. Mas como referimos no Capítulo 3, cerca de 96% da população escolar concentra-se no EP1 e EP2 e o ensino geral na sua globalidade abrange apenas 3% da população escolar. Isto levanta alguns problemas e sugere que talvez o ênfase exclusivo da campanha sobre o ensino secundário, apesar de lógico, pode não representar a opção mais adequada de combate à epidemia. O Ministério de Educação e os seus parceiros de desenvolvimento precisam urgentemente de delinear uma resposta para proteger a 'janela de esperança'.

A segunda maior lição que se aprende de outras partes na região é de que o HIV, apesar do seu alastramento rápido, pode certamente ser prevenido, e de que os cinco em cada seis moçambicanos sexualmente activos que não estão infectados podem ainda evitar a infecção. Isto significa que a vasta maioria dos funcionários do Ministério da Educação não está infectada e, consequentemente, intervenções atempadas através de um maior conhecimento e compreensão do HIV/SIDA podem ajudar a proteger o sector das devastações da epidemia.

Uma terceira lição que se aprende de outras regiões é que ser seropositivos não é necessariamente uma sentença de morte. Os seropositivos podem viver uma vida longa e plena. Isto é válido também ao pessoal da educação infectado com o vírus HIV e para os demais. Todavia, só quando compreenderem a sua condição, protegerem os seus parceiros, e souberem quais são os seus direitos é que poderão estar em condições de ajudar a melhorar a compreensão pública do HIV/SIDA e aumentar a sua compaixão para com os seropositivos e pacientes do SIDA.

A última lição que se aprende da Tanzania e Uganda é que a introdução de calendários escolares mais flexíveis, ajustados ao pico das exigências familiares de trabalho nas machambas, pode ajudar a manter as crianças nas escolas mesmo com o alastramento da epidemia.

Em resumo, a educação tanto pode jogar um papel preponderante na protecção da janela de esperança, como se pode transformar, ela própria, num grande portão de esperança tanto para a protecção dos seus quadros contra o vírus como da sociedade em geral.

A educação é, pela sua natureza, um dos poucos sectores que podem influenciar a mudança de atitudes em relação ao HIV/SIDA de uma forma eficiente e eficaz. É preciso reconhecer, que face à ameaça do HIV/SIDA, o desenvolvimento em Moçambique depende, em grande medida, da vontade e determinação dos educadores profissionais em assumirem a liderança na luta contra a epidemia. Mas a sociedade não se pode exonerar da sua responsabilidade, pois, em última análise, a luta contra a epidemia é, na sua essência, uma batalha pela vida, e ninguém pode abdicar ou alhear-se dessa responsabilidade.


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