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Impacto sobre a qualidade do ensino A discussão da secção precedente não
toma em consideração o aspecto da redução
na procura de educação devido ao impacto do HIV/SIDA
ao nível dos agregados familiares e comunidades. Estes consistem
num impacto qualitativo resultante do declínio nos rendimentos
dos agregados familiares à medida que o SIDA progride. Estudos
feitos no Uganda, Tanzania e Zâmbia chegaram à conclusão
unânime de que as crianças dos agregados onde um ou
mais adultos estão afectados pelo SIDA, ou são órfãs,
são as primeiras a perder o acesso à educação.
Embora o conflito armado tenha legado a Moçambique alguma
experiência sobre formas de lidar com o problema dos órfãos,
estudos noutros países demonstram que, no auge da epidemia,
a esperança de que as comunidades e famílias alargadas
podem continuar a absorver um número crescente de órfãos
torna-se impraticável e insustentável (Hunter e Williamson,
1997, Hunter, 2000; Rugelema, 1999). Actualmente existem cerca de 500,000 órfãos em Moçambique,
cerca de 2/3 deles são resultado directo do SIDA. Como mostra
o Gráfico 4.3 espera-se que o número evolua para mais
de 1,5 milhões no ano 2010. Estas crianças são
afectadas negativamente por várias razões. Por exemplo,
os agregados pobres são mais susceptíveis de acolher
mais órfãos do que os seus homólogos relativamente
abastados, e isto acarreta custos adicionais para a sua sobrevivência
que levam ao empobrecimento total. Além disso, o novo estatuto
da criança aumenta as dificuldades dos órfãos
e leva ao absentismo na escola ou desistência. O impacto na qualidade em Moçambique será generalizado.
No EP1 vai provocar o agravamento das distorções sobre
quem tem acesso à educação e quem não
tem (por exemplo, agregados familiares muito pobres, agregados familiares
rurais, etc.) A experiência prova-nos que, nestas circunstâncias,
serão provavelmente as raparigas mais do que os rapazes que
serão forçadas a abandonar a escola, hipotecando assim
o seu futuro e do país e agravando a desigualdade do género.
Estudos empíricos apontam também que em circunstâncias
idênticas são as raparigas que tomam conta de parentes
doentes ou substituem a mão-de-obra na machamba. Isto vai
pôr à prova os esforços de Moçambique
para aumentar o número de raparigas no sistema de ensino,
particularmente no Centro e Norte do país. A epidemia pode
deitar por terra estes esforços. Além disso, as crianças vindas de agregados familiares
afectados pelo SIDA ou que são órfãs estão
psicologicamente traumatizadas e sofrem de problemas emocionais.
Este fenómeno afecta não só a sua habilidade
de permanecer na escola, mas também a capacidade de assimilar
conhecimentos e progredir. Isto terá logicamente implicações
adicionais sob a forma taxas elevadas de desistência e repetência. Em muitos países da África Austral e Oriental, o
aumento no número de órfãos ocorre numa altura
em que as estratégias dos agregados familiares para gerir
o impacto da epidemia deixaram de ser eficazes. A suposição de que a família e a comunidade conseguirão lidar com o impacto do SIDA ao nível do agregado familiar, e em particular o problema dos órfãos do SIDA em Moçambique é, no mínimo, equivocada. O apoio dirigido para a garantia do bem estar das crianças órfãs, incluindo acesso a cuidados de saúde, segurança, asilo e serviços sociais (incluindo a educação) vinda de uma vasta gama de fontes será totalmente imprescindível nestas circunstâncias |
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