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Impacto sobre a oferta de educação A existência de docentes formados é talvez o maior
constrangimento mais grave à capacidade das autoridades para
alcançarem o objectivo de acesso à educação
básica, melhorias de qualidade e a meta de longo prazo que
preconiza o acesso universal à educação básica.
Infelizmente, é precisamente neste factor - o provimento
de educadores - onde o impacto do HIV/SIDA se vai fazer sentir com
maior intensidade em Moçambique. Durante o período 2000-2010, projecta-se que a epidemia
do HIV/SIDA resulte na perda de cerca de 17% do pessoal da educação.
A mortalidade em todos os sectores vai afectar 9.200 professores
e estima-se que 123 gestores seniores, planificadores e administradores
sucumbirão igualmente devido à epidemia. Meses de
tempo de trabalho produtivo serão perdidos antes que cada
um dos quadros afectados eventualmente morra.
Uma vez que a região Centro tem os níveis mais altos
de prevalência do HIV/SIDA, projecta-se que ela perderá
o maior número de professores (23,3%). Dado que esta região
tem o maior número de professores no sistema, mais de metade
de todos os professores (53%) que irão perecer serão
das províncias centrais de Manica, Tete, Sofala e Zambézia. Para que o sistema mantenha os actuais níveis de acesso
e qualidade, será necessário substituir os professores
e pessoal sénior. Só para colmatar a as lacunas causadas
pelo HIV/SIDA consubstanciadas na perda de professores formados,
será necessário que a formação básica
de docentes aumente as saídas para o sistema em 25% em 10
anos. Para repôr os professores com graus universitários
que hão-de sucumbir à epidemia, a formação
neste nível terá de expandir em 28%. Não se
sabe ao certo até que ponto a educação está
preparada para fazer face a estes efeitos, mas o facto de que existe
uma reflexão sobre o problema é, por si, um sinal
positivo. As previsões mencionadas acima não tomam em consideração
a probabilidade do êxodo de professores atraídos por
outros sectores económicos, especialmente as empresas públicas
e privadas, que irão também sofrer os efeitos da epidemia
e precisarão de encontrar substitutos para o seu pessoal
qualificado vitimado pela epidemia. A pressão sobre os poucos quadros qualificados no país vai aumentar e, como consequência, eles irão exigir melhores condições (salários, habitação, transporte, etc.) que o sistema de educação dificilmente poderá satisfazer. O sector já se ressente destes problemas, especialmente devido ao recente incremento de actividades económicas e aparecimento de novas grandes empresas. A título de exemplo, várias escolas perderam professores que se transferiram para empresas de grande envergadura como as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), as Telecomunicações de Moçambique (TDM) a empresa de alumínio MOZAL e outras empresas. A caixa 4.2 apresenta excertos retirados do Plano Estratégico do Ensino Superior para a década 2000-2010 que apontam algumas das razões do êxodo de docentes neste nível de ensino. |
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