Mozambique
O HIV/SIDA e o sector de educação Capítulo 4 Casa

Impacto sobre a oferta de educação

A existência de docentes formados é talvez o maior constrangimento mais grave à capacidade das autoridades para alcançarem o objectivo de acesso à educação básica, melhorias de qualidade e a meta de longo prazo que preconiza o acesso universal à educação básica. Infelizmente, é precisamente neste factor - o provimento de educadores - onde o impacto do HIV/SIDA se vai fazer sentir com maior intensidade em Moçambique.

Durante o período 2000-2010, projecta-se que a epidemia do HIV/SIDA resulte na perda de cerca de 17% do pessoal da educação. A mortalidade em todos os sectores vai afectar 9.200 professores e estima-se que 123 gestores seniores, planificadores e administradores sucumbirão igualmente devido à epidemia. Meses de tempo de trabalho produtivo serão perdidos antes que cada um dos quadros afectados eventualmente morra.

Quadro 4.5: Professores em exercício por nível de ensino público em 1999
Província EP1 EP2 ESG - 1º Ciclo ESG - 2º Ciclo
  W MW W MW W MW W MW
C. Delgado 214 2.609 16 260 3 103 4 34
Gaza 1.257 2.677 85 428 17 156 2 21
Inhambane 902 2.622 81 387 30 187 5 23
Manica 376 2.005 41 322 14 93 1 24
Maputo 1.061 2.397 106 500 51 254 2 19
Nampula 827 5.950 82 631 29 199 4 35
Niassa 451 2.262 20 338 3 117 0 17
Sofala 365 2.027 103 415 16 132 0 26
Tete 661 3.026 52 363 14 157 7 33
Zambezia 726 5.335 56 487 21 169 5 27
Maputo City 1.478 2.453 292 785 151 541 27 90
Total 8.318 33.363 934 4.916 349 2.108 57 349
Fonte:MINED

 

Uma vez que a região Centro tem os níveis mais altos de prevalência do HIV/SIDA, projecta-se que ela perderá o maior número de professores (23,3%). Dado que esta região tem o maior número de professores no sistema, mais de metade de todos os professores (53%) que irão perecer serão das províncias centrais de Manica, Tete, Sofala e Zambézia.

Para que o sistema mantenha os actuais níveis de acesso e qualidade, será necessário substituir os professores e pessoal sénior. Só para colmatar a as lacunas causadas pelo HIV/SIDA consubstanciadas na perda de professores formados, será necessário que a formação básica de docentes aumente as saídas para o sistema em 25% em 10 anos. Para repôr os professores com graus universitários que hão-de sucumbir à epidemia, a formação neste nível terá de expandir em 28%. Não se sabe ao certo até que ponto a educação está preparada para fazer face a estes efeitos, mas o facto de que existe uma reflexão sobre o problema é, por si, um sinal positivo.

As previsões mencionadas acima não tomam em consideração a probabilidade do êxodo de professores atraídos por outros sectores económicos, especialmente as empresas públicas e privadas, que irão também sofrer os efeitos da epidemia e precisarão de encontrar substitutos para o seu pessoal qualificado vitimado pela epidemia.

A pressão sobre os poucos quadros qualificados no país vai aumentar e, como consequência, eles irão exigir melhores condições (salários, habitação, transporte, etc.) que o sistema de educação dificilmente poderá satisfazer. O sector já se ressente destes problemas, especialmente devido ao recente incremento de actividades económicas e aparecimento de novas grandes empresas. A título de exemplo, várias escolas perderam professores que se transferiram para empresas de grande envergadura como as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), as Telecomunicações de Moçambique (TDM) a empresa de alumínio MOZAL e outras empresas. A caixa 4.2 apresenta excertos retirados do Plano Estratégico do Ensino Superior para a década 2000-2010 que apontam algumas das razões do êxodo de docentes neste nível de ensino.


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