|
|||
O Governo de Moçambique aprovou, em Agosto de 1995, a Política Nacional de Educação (PNE), um documento que estabelece a visão do sector da educação e as principais intenções e prioridades para o seu desenvolvimento. Desde logo se tornou evidente que a PNE por si só não
seria suficiente para a operacionalização das políticas
definidas num quadro de acção e intervenções
a empreender. Na base deste entendimento, iniciou-se o processo
de tradução das intenções políticas
proclamadas pelo Governo, num quadro priorizado das acções
e transformações fundamentais ao SNE. O Plano Estratégico de Educação (PEE), é um instrumento de planificação e mobilização de recursos numa base rolante, que não tem a pretensão de resolver a totalidade dos problemas do SNE em simultâneo. O PEE caracteriza-se como um plano centrado em prioridades e, portanto, com opções limitadas. Pela sua concepção e conteúdo, pode-se afirmar que o PEE teve o mérito de distinguir não só o que devia ser feito mas, sobretudo, o que podia ser feito.
O conteúdo do PEE assenta em três pilares:
Educação nos diferentes níveis de administração,
sem o qual se reconhece que as duas prioridades fundamentais do sistema
não podem ser levadas a vias de facto em condições
sustentáveis.O PEE retoma a grande prioridade definida na política educativa
do Governo – o ensino básico que corresponde aos dois níveis
do ensino primário complementado pelas actividades de alfabetização
e educação de adultos. Embora a prioridade da PNE
e do seu PEE nesta fase seja o ensino básico, a estratégia
do Governo para o sector da educação reconhece a importância
relativa doutros níveis de ensino, o que é visto como
uma condição indispensável para emprestar equilíbrio
e um desenvolvimento harmonioso à totalidade do sistema. Como instrumento para a mobilização de recursos ao
nível doméstico e internacional, as necessidades financeiras
para o PEE baseiam-se num Cenário de Despesas de Médio
Prazo, que traduz a projecção das despesas de investimento
e correntes a efectuar num horizonte temporal inicialmente definido
como sendo de cinco anos. No entendimento do Governo, o cenário de despesas deve resultar
num plano financeiro que expresse, em primeiro lugar, os níveis
de contribuição projectados com base nos recursos
internos que compreendem o Orçamento do Estado e outras fontes No custo global do PEE, estimado em US$ 717 milhões de dólares
americanos, assume-se que a contribuição do governo
durante o período representará cerca de 60%. Os recursos
serão prioritariamente aplicados para cobrir os custos correntes, O PEE foi concebido como um plano sectorial integrado, constituindo
num quadro que permitirá a substituição do
financiamento externo centrado em projectos pelo apoio ao orçamento
do Estado. Esta intenção largamente partilhada pelo
Governo e pelos parceiros de cooperação representa
um grande desafio, pois, a experiência revela que tanto o
governo como os parceiros de cooperação experimentam
dificuldades na harmonização das suas práticas,
procedimentos e cultura de administração e gestão
dos recursos financeiros. O subsistema do ensino superior desenvolveu também uma estratégia
subsectorial, o que vai contribuir para completar e estabelecer
uma visão integrada do sector da educação e
facilitará, certamente, a negociação, mobilização
e redistribuirão dos recursos entre os diferentes níveis
do SNE. O processo de formulação do PEE incluindo a estratégia
subsectorial do ensino superior, foi definido sempre como um exercício
que deveria conduzir a um amplo compromisso social que catalizasse
o desenvolvimento em diferentes contextos políticos. O grande desafio parece, no entanto, residir na implementação, e na reconhecida necessidade de situar o ponto de gravidade do sistema na escola, que é onde devem ocorrer as mudanças fundamentais. A implementação do PEE deve ser um processo de aprendizagem de uma gestão mais distendida, participada e descentralizada. |
|||
| | SARDC | Eduardo Mondlane University | UNDP | | |||