Mozambique
O percurso da educação nas escolhas dos moçambicanos Capítulo 3 Casa

Evolução dos ingressos após a independência

Com a independência nacional inaugura-se um processo de rápidas e profundas transformações sócio-económicas, políticas e culturais. Um dos primeiros efeitos dessas transformações foi o alargamento da oferta educacional.

O sector experimentou uma significativa expansão da rede escolar, principalmente, do ensino primário, abrangendo amplos segmentos populacionais até então excluídos. A nacionalização dos estabelecimentos escolares, decretada logo a seguir à independência, pretendia eliminar os diferentes factores de discriminação social e assegurar a democratização do acesso à escola, com o intuito de consolidar a identidade e unidade nacionais.

Entre 1975 e 1981 regista-se um aumento significativo dos efectivos escolares do ensino primário, que cresceram a uma _taxa média anual de 15,6%, passando de 600 mil alunos, em 1975, para mais de 1,4 milhões em 1979. Note-se que o alargamento do acesso era conjugado com um aumento da proporção de raparigas no sistema.

A população de raparigas no sistema evoluiu de 33% do total, em 1975, para próximo de 44% em 1981, conforme ilustra o gráfico 3.2. A expansão do acesso foi também produto do aumento substancial no número de estabelecimentos escolares.
Paralelamente, foram desenvolvidas campanhas de alfabetização da população adulta nos locais de residência e nos centros de produção que contribuíram para a redução da taxa de analfabetismo de 93% em 1975 para 72% em 1980, principalmente, nas zonas urbanas e em sectores organizados das zonas rurais.

Todavia, é pertinente mencionar que a forma de que se revestiu a nacionalização induziu a um retraimento da participação de alguns actores sociais envolvidos no sector da educação, principalmente, das confissões religiosas e dos agentes privados, deixando ao Estado a responsabilidade da educação dos moçambicanos da creche à universidade.


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