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Financiamento da educação A exiguidade de recursos é um dos constrangimentos que
supera a boa vontade consagrada no princípio de universalização
do ensino básico da Carta Universal dos Direitos Humanos
e limita a operacionalização da abordagem de desenvolvimento
humano, que concebe a falta de acesso ao ensino como uma 'privação'
humana. A despesa no sector da educação, a preços
correntes, aumentou 16 vezes no período 1990-1998, o que
correspondeu a um crescimento médio anual de 41,5%. Este
crescimento foi ligeiramente superior ao verificado a nível
das despesas totais do Estado que foi, em média, de 40%.
Este nível de crescimento do volume de recursos afectados
ao sector da educação revelam a prioridade que o
governo atribui à educação. O quadro 3.4 sumariza
a evolução do financiamento da educação
numa série temporal de 10 anos. Com efeito, tal como se pode verificar pelo gráfico 3.18,
a despesa corrente interna em educação, em percentagem
da despesa corrente total do estado foi, no período 1990-1999,
sempre inferior a 18%, com excepção apenas do ano
de 1998 (18,2%) tendo sido mesmo inferior a 16% no período
1993-1995. Este valor é bastante mais baixo do que os 25%
observados em muitos países africanos. O crescimento do volume de recursos postos à disposição
da educação esconde uma grande fragilidade: mais de
metade da despesa da educação é financiada
com fundos externos. A proporção do financiamento
externo no orçamento da educação, principalmente
virado para as despesas de investimento, variou entre um máximo
de 63,3% em 1994 e um mínimo de 44% em 1998, prevendo-se
que em 1999 represente 42,5%. Isto traduz, sobremaneira, a forte
dependência do sector em relação à assistência
externa, apesar da tendência recente para a diminuição
desta assistência tal como o ilustra o gráfico 3.19. A dependência em relação às contribuições
da comunidade internacional no financiamento da educação
reflecte a fragilidade da economia moçambicana. Mas é
pertinente dizer que o financiamento interno do sector da educação,
através do OGE, não é ainda comensurável
com a prioridade que é dada à educação,
ao nível do discurso político. Em termos absolutos, o volume de recursos canalizados para o sector
cresceu substancialmente, como foi frisado anteriormente. Porém,
a proporção das despesas de educação
no PIB não só é ainda baixa, como a proporção
das despesas totais no PIB tem evidenciado uma tendência decrescente:
diminuiu de 6%, em 1992, para cerca de 4% nos últimos três
anos. As despesas internas (domésticas) de educação
em relação ao PIB apresentam valores muito mais baixos,
apesar de uma ligeira recuperação nos últimos
anos onde passaram de apenas 1,6% em 1995 (o valor mais baixo do
período) para cerca de 2,2% em 1998 e 1999. Este valor é
muito baixo, sobretudo se tivermos em conta que a despesa interna
em educação dos países africanos beneficiando
da iniciativa para os Países Pobres Altamente Endividados
(HIPC) representa, em média, cerca de 4% do PIB, ou seja,
duas vezes mais do que a taxa vigente em Moçambique. Estes indicadores evidenciam que, felizmente, existe ainda espaço
para aumentar o financiamento da educação com fundos
internos, mesmo que os externos continuem a jogar um importante
papel, desde que se concretize ao nível da afectação
de recursos a prioridade que é dada à educação
no discurso político. A iniciativa HIPC não será suficiente, por si só,
para aumentar o financiamento interno das despesas de educação
até ao nível verificado nos países africanos
em condições similares a Moçambique. Um estudo do Banco Mundial prevê que sejam libertos anualmente cerca de US$ 120 milhões de dólares americanos ao longo dos próximos anos, valor que crescerá anualmente até cerca de US$ 167 milhões de dólares americanos em 2017. Se um em cada quatro dólares dos valores libertos pela iniciativa HIPC for afectado à educação, é de prever que isso contribua para aumentar em cerca de 1,7% a proporção das despesas internas de educação em relação ao PIB, situando a despesa abaixo dos 4%.
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