Mozambique
Análise do ensino nos seus diversos níveis Capítulo 3 Casa

Ensino superior

O ensino superior teve uma evolução assinalável nos últimos anos. A Universidade de Lourenço Marques foi transformada em Universidade Eduardo Mondlane (UEM) em 1976. A partir daí foi possível a introdução de cursos até então inexistentes, fazendo evoluir e variar progressivamente o leque de cursos oferecidos.

Nos meados da década de 1980 duas novas instituições de ensino superior foram criadas no país: o Instituto Superior Pedagógico transformado em Universidade Pedagógica em 1995 e o Instituto Superior de Relações Internacionais. Até 1999, existiam no país seis instituições de ensino superior reconhecidas, com cerca de 12 mil alunos, dos quais 25% frequentava, como foi referido, instituições privadas (quadro 3.3 e gráfico 3.17).

A rápida expansão do ensino secundário não tardou em impor uma demanda acrescida às instituições de ensino superior. A existência de escolas secundárias do 2º ciclo em todas as províncias contribuiu para o incremento do número de graduados deste nível que demandam o ensino superior.

Parece haver correlação entre o aumento da procura do ensino superior e o sistema de remunerações aplicado, pelo menos, ao nível do sector estatal, o qual sobrevaloriza a qualificação académica na determinação do salário. Acredita-se que esta circunstância acentua a procura social do ensino superior.

Quadro 3.3: Evolução do número de alunos no ensino superior, 1990-1999
  1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999
UEM 2.884 3.038 3.482 4.036 4.697 5.200 5.762 6.200 6.772 6.800
UP 813 1.032 1.118 1.214 1.377 1.489 1.462 1.520 1.564 1.987
ISRI 53 42 54 33   155 135 155 201 134
ISCTEM               201 500 644
ISPU             160 371 680 919
UCM             102 203 605 1.350
Fonte: MESCT, 2000

 

Por outro lado, vozes em coro clamam pela criação de instituições de ensino superior noutras regiões do país na base da suposição de que isso contribuiria para promover um acesso equitativo dos estudantes não oriundos da capital do país, onde se situam as universidades públicas, e estimular ainda um equilíbrio no desenvolvimento das diferentes regiões.

Apesar dos resultados verificados no desenvolvimento quantitativo do ensino superior em Moçambique, reconhece-se que os principais estrangulamentos do sub-sector referem-se à sua baixa eficiência e à relevância pouco adequada dos seus currícula que manifestam um claro desencontro com as expectativas dos sectores sociais e económicos.


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