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Ensino Privado A política do governo em relação às
entidades privadas da actividade de ensino teve duas manifestações
em períodos historicamente diferentes. Logo após a
proclamação da independência nacional uma das
mais fortes e primeiras decisões políticas tomadas
pelas autoridades governamentais, foi a nacionalização
da educação. Era uma medida visando essencialmente
a democratização da educação, criando
um substracto legal para assegurar o acesso de todos os cidadãos. O exame do quadro situacional da educação, em 1990,
constatou níveis preocupantes de exclusão escolar
provocada, em parte, pela destruição de cerca de metade
da rede escolar do ensino primário pela guerra, e uma redução,
em termos reais, da capacidade do financiamento público à
educação. Esta constatação, aliada ao
espírito de liberalização que inspira as reformas
económicas, levou o governo a reconhecer que o Estado não
podia continuar a ser o provedor exclusivo da educação.O
governo aprovou, neste contexto, mecanismos legais visando a intervenção
de agentes não governamentais na educação.
A expectativa do governo subjacente na própria lei, era
a de ver o ensino privado a contribuir para a expansão da
rede escolar ao nível nacional. Contudo, os níveis
de cobertura sugerem que o papel do ensino privado pode ser mais
reforçado e desenvolvido. O quadro 3.2 mostra a distribuição
dos alunos que frequentavam os vários níveis do ensino
privado em 1999. Os dados do quadro 3.2 indicam uma clara concentração
de escolas privadas, principalmente na Cidade de Maputo, Províncias
de Sofala, Maputo, Niassa e Zambézia. Uma característica
importante da distribuição geográfica das instituições
privadas de ensino é a sua localização nos
centros urbanos, em contraste com as zonas rurais onde a sua existência
é quase nula. A análise das condições de funcionamento destas
escolas permite-nos distinguir duas categorias: o ensino privado
oneroso, normalmente procurado pelas classes sociais com capacidade
de custear as despesas inerentes à educação
nessas instituições, e as escolas comunitárias
promovidas por confissões religiosas, associações
filantrópicas e outras formas de organização
comunitária. O alargamento no acesso à primeira categoria será
sempre limitado pelo tamanho do mercado, visto que o ensino privado
está, obviamente, virado aos segmentos sociais com posses.
A segunda categoria encerra um enorme potencial de desenvolvimento
orientando-se, não tanto pelos critérios do mercado,
mas pela necessidade de oferecer oportunidades de enquadramento
educativo aos cidadãos que não encontram lugar na
rede do ensino público. É, por isso, sobre este tipo
de escolas que tem incidido, nesta fase, o ainda insignificante
apoio governamental em forma de salários aos professores
e provisão do livro escolar aos alunos. O ensino privado estendeu-se ao nível superior que iremos abordar a seguir. O ensino superior não público surgiu em 1996 com o aparecimento da Universidade Católica e do Instituto Superior Politécnico e Universitário (ISPU). De um universo inicial de apenas 262 alunos, o ensino superior privado cresceu rapidamente cifrando-se o número de alunos, em 1999, em 2.913. Parte deste crescimento foi resultado da abertura de mais uma instituição de ensino superior, o Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM). |
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