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Origem, evolução e desafios da educação Ao longo da História, as diferentes sociedades têm assegurado a sua reprodução e desenvolvimento, em grande parte, através da educação. Por meio dessa prática social, as crianças e jovens inserem-se na vida colectiva, apropriando-se dos valores e conhecimentos da sua sociedade. Desta forma, a educação desempenha um papel fundamental na criação da identidade cultural e da coesão social, concretizando ao mesmo tempo, em cada indivíduo, o processo de humanização. A instituição escolar, tal como a conhecemos hoje, surgiu no contexto das transformações sócio-políticas e económicas ocorridas nos séculos XVIII e XIX, e que deram origem a um novo modelo de sociedade que acabou por se estender a todos os países do mundo. A finalidade fundamental dessa escola era contribuir para a criação e consolidação da unidade das nações emergentes e incutir nas novas gerações os conhecimentos, aptidões e atitudes requeridos pela nova organização política e de produção social. A educação tornou-se um dos principais motores do desenvolvimento das sociedades pela sua contribuição para o progresso científico e tecnológico, factor decisivo para o crescimento económico. Ao longo do último quarto do Século XX, registaram-se no mundo grandes e complexas transformações em todos os domínios da vida das sociedades. Essas transformações devemse, em parte, às inovações científico-tecnológicas que modificaram, radicalmente, os processos produtivos, de organização e informação das sociedades, tornando o conhecimento técnico-científico cada vez mais decisivo e determinante para o desenvolvimento sócio-económico dos países. Neste novo contexto, a riqueza e o bem-estar dependem mais do conhecimento técnico e científico do que dos recursos naturais. Enquanto muitos recursos naturais se esgotam, o conhecimento técnico-científico da sociedade possibilita e favorece a exploração racional e sustentável dos seus recursos. Os avanços e inovações registados nos processos produtivos colocam o Casam no centro do desenvolvimento, pois essas transformações "se devem, antes de mais, à capacidade dos seres humanos de dominar e organizar o meio ambiente em função das suas necessidades". O reconhecimento do papel decisivo da educação coloca-a "no centro do desenvolvimento tanto da pessoa como das comunidades", cabendo-lhe "a missão de fazer com que todos, sem excepção, façam frutificar seus talentos e potencialidades criativas" (Delors, 1996:15). O ritmo das transformações científico-tecnológicas faz com que as formas de vermos e interagirmos com o mundo mudem num espaço de tempo muito inferior ao tempo de uma geração. Daqui decorrem novas e urgentes necessidades educativas que, em parte, reclamam uma profunda mudança das próprias práticas educativas. A educação deverá promover uma postura dialógica dos indivíduos e das comunidades ao longo da vida, de que resulte um comportamento inteligente capaz de interagir de maneira responsável e construtiva num contexto de mudança permanente. Em todos os sectores da vida económica e social se sente a necessidade de competências evolutivas articuladas com o saber e o saber-fazer mais actualizado. O saber é relevante para a prática, potencializa as capacidades das pessoas para se inserirem activamente nas diferentes esferas da vida social. Nesse sentido, a educação é a principal via de acesso ao mundo do trabalho. Cada vez se torna mais imperiosa a necessidade de formar pessoas capazes de evoluir, de se adaptar a um mundo em rápida mudança e de dominar essas transformações. Nessa perspectiva, a capacidade de aprender ao longo da vida torna-se crucial. A escola deve direccionar a sua função formativa com vista a garantir que os seus alunos aprendam a aprender. Este novo contexto exige que as sociedades multipliquem e diversifiquem as oportunidades educativas, tornando-se verdadeiras "sociedades educativas". As novas tecnologias da informação, quando integradas na educação, podem transformar essa utopia numa realidade. Num mundo cada vez mais globalizado, o fortalecimento da coesão interna das nações torna-se uma necessidade imperiosa. Sociedades desarticuladas dificilmente serão capazes de sobreviver ao contacto da mundialização. Essa sobrevivência exige que se conservem e se desenvolvam traços culturais diferenciadores da própria sociedade, o que permite o autoreconhecimento e o relacionamento descomplexado com as outras sociedades. Mas, por outro lado, importa assumir que nenhuma sociedade poderá viver encerrada sobre si mesma, o que exige a capacidade de se relacionar com o mundo, com outras sociedades. A educação recobra, nesse contexto, a sua importância e necessidade. A escola moderna surgiu na história como um instrumento privilegiado para a construção da identidade nacional. Essa identidade e coesão têm de ser desenvolvidas a partir do reconhecimento da pluralidade cultural existente no seu interior. A educação, portanto, "deve consciencializar o indivíduo para as suas raízes, a fim de dispôr de referências que lhe permitam situar-se no mundo" mas também, promover o conhecimento e respeito por outras culturas. Esse conjunto, culturalmente diferenciado, constitui o património comum da humanidade (Delors, 1996:42). Nesse sentido, cabe à escola a responsabilidade pela edificação de um mundo plural e solidário. Miguel Buendía e Virgílio Juvane |
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